<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594</id><updated>2011-09-13T07:56:36.292-07:00</updated><title type='text'>Evidentemente, o absurdo.</title><subtitle type='html'>"L'absurde naît de la confrontation de l'appel humain avec le silence déraisonnable du monde."

Albert Camus, in Le Mythe de Sisyphe
</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>104</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-117512120405615752</id><published>2007-03-28T16:30:00.000-07:00</published><updated>2007-03-28T16:36:55.440-07:00</updated><title type='text'>Eva, ou da convalescença do eu erótico.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não tinha de ser da dor ou do anel grave no anelar que alguma coisa lhe saía. Eventualmente apoiaria a testa nas mãos mas cedo perceberia que não havia, nessa noite, o que quer que, de solene, tivesse de ser reunido por concentração desmedida na potência de sentir tristeza.&lt;br /&gt;Havia noites em que o amor era tão frívolo como um cigarro fumado lentamente ao som de um jazz elanguescente. A certeza delineada de independência dava-lhe bem mais segurança do que qualquer movimento espontâneo de fé, e gostar de estar ali, a ouvir aquela música, com a desobrigação da solidão a distender-lhe os músculos como um banho quente, era mais capaz do que o esforço de reorientação positiva a exercer constantemente sobre a tendência louca do amor que é pungente.&lt;br /&gt;Então escreveria sobre a mulher que é só.&lt;br /&gt;Ela não existe em lado nenhum da sua rua nem dos seus anos, mas não há milímetro da sua pele branca que lhe seja desconhecido, nem ângulo que o seu corpo desenhe que não esteja já nas prescrições frias e académicas da perfeição estética. Ela não existe e no entanto é toda corpo. Esfíngico, de cera, gélido e tão só aquilo mesmo que adivinhar-lhe na impenetrabilidade da expressão uma complexa densidade emocional é mais uma condescendência desavisada que se faz por ser de facto muito bela; ou então um abuso de uma fantasia cinematográfica qualquer que começa e que acaba em nós.&lt;br /&gt;Eva é manequim de um amor de poeta; nunca ninguém disse que Eva seria Eva se não tivesse um braço ou fosse mais gorda. Ela é só pele a amar; e há bastantes semelhanças entre ela e a sala onde se senta a fumar e a escrever quem a criou – podemos chamar-lhe filha do ímpeto funcionalista da desobrigação.&lt;br /&gt;Não há nada de paradoxal nisto: que uma pessoa inebriada de amor por outrem se sente, certa noite, e acumule toda a vibração, que habitualmente lhe possuí o discernimento e se lhe confunde com a identidade, numa massa concentrada extrínseca e se demore depois a esculpi-la, a dar-lhe forma, a dominá-la.&lt;br /&gt;Não, não é o prazer sexual, porno, de criação do corpo ideal – este é o prazer erótico de controlo do eu. É Eros por excelência: batota terrena para superação de uma falta que se sente, tensão para a metade que achamos ser de nós porque vivida como excesso fantasmático. Se habitualmente o amor por outrem leva a pessoa que está na sala a senti-la como lhe sendo devida, como sua metade certa por direito, esta noite a vertigem erótica da deposição na metade a haver foi apaziguada pela suficiência de um ponto de aplicação simulacral que foi inteiramente por si determinado, que é uma sua extensão, um seu duplo – um assistente de autarcia ontológica, por assim dizer.&lt;br /&gt;A mais persistente das amantes, a que assola até os casais mais apaixonados, a mais incontornável das infidelidades: eis a solidão apresentada. Esfíngica Eva, bela, gélida, e imperturbável paz, independência da suficiência da solidão; Eva, filha do ímpeto funcionalista que devolve o eu erótico a si próprio e torna a pessoa que está na sala finalmente livre e autárquica.&lt;br /&gt;Toda a violência desapareceu, a mulher que ama mais que tudo acaba de entrar agora em casa e não há angústia nenhuma de possessão.&lt;br /&gt;Havia noites em que o amor – o amor a sério, aquele que se quer muito que resulte – era tão frívolo quanto isto: pura convalescença do eu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-117512120405615752?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/117512120405615752/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=117512120405615752' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/117512120405615752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/117512120405615752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2007/03/eva-ou-da-convalescena-do-eu-ertico.html' title='Eva, ou da convalescença do eu erótico.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-116575609605311556</id><published>2006-12-10T05:59:00.000-07:00</published><updated>2006-12-10T06:08:16.066-07:00</updated><title type='text'>de um domingo.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O gato que está ao sol só a ser gato, não sabe das flores amarelas a não ser ocasionalmente pela borboleta branca que pousou agora numa, toda ela a ser borboleta branca a nada saber de ser borboleta entre flores amarelas numa manhã de sol.&lt;br /&gt;Deixo-te adormecida com um beijo; trago o calor da tua pele no meu olhar para todas as coisas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-116575609605311556?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/116575609605311556/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=116575609605311556' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/116575609605311556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/116575609605311556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2006/12/de-um-domingo.html' title='de um domingo.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-116543426168691605</id><published>2006-12-06T12:43:00.000-07:00</published><updated>2006-12-06T12:44:21.700-07:00</updated><title type='text'>palhaços exibidos.</title><content type='html'>Dá-me quase vontade de rir, quase vontade de esmagar cristais.&lt;br /&gt;Olha eu a equilibrar-me numa bola vermelha, eu a rir-me com o riso malévolo da euforia, eu com os olhos lunáticos de palhaços exibidos.&lt;br /&gt;Há vezes em que o meu choro é um faquir de circo. Olha agora eu em voo no trapézio. Olha bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-116543426168691605?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/116543426168691605/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=116543426168691605' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/116543426168691605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/116543426168691605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2006/12/palhaos-exibidos.html' title='palhaços exibidos.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-115975438382442751</id><published>2006-10-01T18:57:00.000-07:00</published><updated>2006-10-01T19:09:20.356-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;a minha namorada tem olhos transparentes; olhos de vidro que brilham líquidos como âmbar ou como uma madrugada, quando está à luz à janela.&lt;br /&gt;a minha namorada tem voz de água nova a correr fria entre as pedras lisas e as raízes das árvores num sítio onde o rio corra devagar.&lt;br /&gt;a minha namorada tem mãos do vento lilás do fim da tarde e toque de sombra à hora de almoço de um dia de Verão.&lt;br /&gt;e os dentes brilham como todas as luzes (por isso ela fica tão bem por todo o lado onde vamos) quando ela ri o seu sorriso tilintante, capaz de proteger até o mais nu e desprevenido dos esqueletos da chuva miúda que dói nos pés quando o Outono chega.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;e quando ela ouve é com a pele; e quando ela fala traz a calma das coisas certas e inteiras; e, quando acorda, a minha namorada congrega o mundo todo (que a noite tinha pulverizado na ausência) num presente real com toque e forma e sabor como a epifania de uma lágrima.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-115975438382442751?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/115975438382442751/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=115975438382442751' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/115975438382442751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/115975438382442751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2006/10/minha-namorada-tem-olhos-transparentes.html' title=''/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-115849964479806562</id><published>2006-09-17T06:24:00.000-07:00</published><updated>2006-09-17T06:27:24.816-07:00</updated><title type='text'>Da batota.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As coisas que te digo quando calo o que quero dizer, pela prática competente da repugnância do ridículo, são sempre todas bem melhores que a versão espirituosa que te faço chegar, por mais brilho adulto que lhes possam dar os filtros de sarcasmos e cinismos que lhes ponho, como quem põe um par de brincos num conjunto casual e julga elevá-lo só por isso a uma qualquer superior categoria do chique.&lt;br /&gt;Mas tu ris-te do tilintar neurasténico e do arrogante refinamento intelectual dos risos pós-modernos que uso contigo, e fazes questão de me mostrar que és capaz do que eu não sou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei como podes dizer o que eles dizem nos filmes e fazer estrelas a partir do toque e olhar para mim tão profundamente como se o original de tudo quanto é verdadeiro fosses tu, mas é porque me despes de toda a batota que as coisas que calo são tão legivelmente só para ti.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-115849964479806562?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/115849964479806562/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=115849964479806562' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/115849964479806562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/115849964479806562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2006/09/da-batota.html' title='Da batota.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-115809710873362039</id><published>2006-09-12T14:36:00.000-07:00</published><updated>2006-09-13T08:11:23.453-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Mortais encarpados do mundo a correr em espirais à nossa volta, e eu sorrio e seguro-te as mãos e digo: “vês, meu amor, como és bela?”&lt;br /&gt;É tão grave que acertemos na cor do verniz das unhas das mãos; e que o gloss saiba a morango e cole os cabelos aos lábios quando o vento do fim da tarde nos despenteia e obriga a verificar os nossos reflexos nos vidros das montras.&lt;br /&gt;É igualmente importante que me faças rir sem conseguir parar só com um piscar de olhos e que me dê vontade de chorar o movimento do teu maxilar na luz nova da manhã, ao sorrires devagar quando te acordo com um beijo.&lt;br /&gt;Depois é importantíssimo que me sinta tolhida de amor por ti e a seguir dancemos. Dancemos. Enquanto as horas passam e dão ao universo formas novas (que são mais belas agora que o movimento sincronizado é o dos nossos corpos juntos).&lt;br /&gt;Mortais encarpados do mundo que corre em espirais à nossa volta, que corre para lado nenhum, de renovação perdida em renovação perdida, tão completamente vãos na novidade constante que deixa de o ser, puderam tornar-se belos assim só por os teu dentes rirem na meia luz anacrónica do teu quarto à noite, por o teu cabelo me cobrir a cara a cada beijo e a cada abraço, por causa da cor das unhas das tuas mãos sobre a minha barriga.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perco as mãos no teu cabelo mesmo antes de adormecer e digo que te amo. Digo “vês, meu amor, como és bela?, como te amo?, como a tua pele fica tão bem à minha?”, e o mundo passa a correr em paz.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-115809710873362039?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/115809710873362039/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=115809710873362039' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/115809710873362039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/115809710873362039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2006/09/mortais-encarpados-do-mundo-correr-em.html' title=''/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-115047747543320478</id><published>2006-06-16T10:03:00.000-07:00</published><updated>2006-06-16T10:13:27.450-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>eu não tenho o link para o clip do L-Word no meu blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu é só atitude.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-115047747543320478?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/115047747543320478/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=115047747543320478' title='43 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/115047747543320478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/115047747543320478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2006/06/eu-no-tenho-o-link-para-o-clip-do-l.html' title=''/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>43</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-114912107788035532</id><published>2006-05-31T17:15:00.000-07:00</published><updated>2006-05-31T17:20:37.566-07:00</updated><title type='text'>Vertigo, revisited.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pela pele é que te vou amar, se te amar. Pela insinuação angulosa dos ossos e das articulações nessa aparente uniformidade mate que tu és toda nas noites em que danças nua na escuridão azul do teu quarto quieto como a lua; por ela apenas, e não pelo que dizes ou pensas ou sentes, é que hei-de querer chorar e escrever poemas. Nem pelo passado que guardas no desenho do mais banal dos gestos, nem por vestígios de amores outros, perdidos e ganhos, na casa de espelhos das coisas que dizes hoje e dos silêncios que hesitas. Não será sequer por esse lugar confuso que são os olhos, onde se julga conhecer alguém tão bem como a nós mesmos e onde se ilude a possibilidade tão procurada da compreensão e da partilha. Podes bem ler-me e saber para onde caminha a Humanidade, que isso não será comoção nem de perto nem de longe comparável à de te percorrer as costas com as pontas dos dedos para logo perdê-los nos teus cabelos, no frémito obstinado de sentir ainda pele.&lt;br /&gt;Pela pele; pela pele é que te vou amar, se lhe quiseres chamar amor, e só se souberes dançar: se, como a chama, a linha que te desenha das pernas aos ombros, e te recorta, singular, contra a pura luz da noite, for capaz de me fazer descobrir em ti a razão acabada do movimento do mundo e perder na grafia sensitiva de te conhecer de cor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Amar-te para sempre, já vês, é só um acidente, um acidente de pequeníssima importância, de te amar agora, se te amar, assim tão completamente que me magoa, com os olhos da pele, a boca dos músculos, os dentes da carne e o pasmo do agora.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-114912107788035532?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/114912107788035532/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=114912107788035532' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/114912107788035532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/114912107788035532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2006/05/vertigo-revisited.html' title='Vertigo, revisited.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-114590648134670685</id><published>2006-04-24T12:11:00.000-07:00</published><updated>2006-04-24T12:28:58.206-07:00</updated><title type='text'>Dos adoráveis, adoráveis wannabe's.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em rapaz tinha um blusão de cabedal vermelho e penteado à James Dean; e sonhava fugir.&lt;br /&gt;Sentava-se no peitoril da janela do quarto ao final da tarde a ver quanto horizonte podia aguentar sem chorar, e depois de anoitecer sorria porque se achava titânico sobrevivente da contemplação excessiva. Aos fins de semana abria a garagem para ficar sentado no carro do pai a sentir o volante entre as mãos e os dois sentidos da rua prometerem-lhe o mundo, e sabia que só poderia fugir num carro assim.&lt;br /&gt;Na parede do quarto estavam alinhados postais de sítios onde nunca tinha estado e fotografias amarelecidas de gente que nem conhecia e que os pais uma vez tinham querido deitar fora.&lt;br /&gt;Às tantas eram já essas pessoas das fotografias que ele encontraria nas viagens que faria a partir do dia em que pegasse no carro; mas isso era quando chovia e ele tinha de ficar deitado em cima da cama e o fim da rua e o céu infinito eram substituídos pelo tecto branco com o estuque rachado num ou noutro sítio.&lt;br /&gt;Às tantas já sabia o nome de toda a gente que ainda não tinha encontrado e já conhecia de cor todas as ruas e todos os cafés e todas as manias dos habitantes dos sítios onde ainda não tinha ido.&lt;br /&gt;Em rapaz sonhava fugir, sentava-se no capôt do carro estacionado na garagem, a beber leite com chocolate, e só não sabia nunca para onde porque já tinha visto tudo.&lt;br /&gt;Não morreu como James Dean, afinal. Morreu bem velhinho, de causas naturais, no quarto que antes tinha sido dos pais e para o qual se tinha mudado, porque era maior, quando eles morreram.&lt;br /&gt;Na garagem o descapotável, coberto há anos porque ele nem nunca chegou a tirar a carta; mas, quando puseram a casa à venda, quem chegava para a ver ficava invariavelmente fascinado com os postais e fotografias nas paredes dos quartos, e mais com todas as histórias maravilhosas de viagens excitantes e sítios longínquos que aquele senhor certamente teria tido para contar, acaso o tivessem conhecido em vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-114590648134670685?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/114590648134670685/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=114590648134670685' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/114590648134670685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/114590648134670685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2006/04/dos-adorveis-adorveis-wannabes.html' title='Dos adoráveis, adoráveis wannabe&apos;s.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-114563081684683957</id><published>2006-04-21T07:45:00.000-07:00</published><updated>2006-04-21T07:46:56.860-07:00</updated><title type='text'>Across the Universe</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Agora o miúdo salta em cima da cama dos pais que saíram (ele nunca o poderia fazer de outra maneira). Não faz ideia nenhuma do que diz quando diz o que diz a música que toca no gira-discos porque nunca aprendeu francês na escola, quanto mais italiano; mas imita os sons como pode. Está apaixonado pelos vinis do pai e pelo baton da mãe e pela excitação de poder ser apanhado outra vez maquilhado e com as plumas que a tia lhe deu às escondidas por achar tanta graça a sentir-se de algum modo parte de quando se tranca sozinho no quarto a sentir-se uma estrela.&lt;br /&gt;O miúdo rendeu-se cedo ao fond de teint e ao eyeliner, ou teria duas ou três nódoas negras e os olhos inchados de noites em sobressalto e do choque dos pais quando o viram assim pela primeira vez (mas, também, a culpa foi toda deles que chegaram a casa antes do costume); assim, é uma estrela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Coração escondido na boca, bem atado com nó na garganta que é para não aparecer danificado ao espelho quando fizer pose e piscar os olhos, agora o miúdo salta em cima da cama dos pais (espera que a acetona também tire o verniz dos tecidos, mas não quer pensar muito nisso agora).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-114563081684683957?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/114563081684683957/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=114563081684683957' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/114563081684683957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/114563081684683957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2006/04/across-universe.html' title='Across the Universe'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-114556908730281201</id><published>2006-04-20T14:34:00.000-07:00</published><updated>2006-04-20T14:55:34.606-07:00</updated><title type='text'>Sugar Baby Love</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ela era nada mais nada menos que uma decalcação tosca de um vídeo dos anos 80, um mau.&lt;br /&gt;Holograma de pastilha elástica de morango de pé na carruagem da frente daquele comboio suburbano de hora de ponta, usava óculos de sol cor-de-rosa mesmo abaixo da franja escrupulosamente quadrada e unhas postiças; e o sapato bicudo, deformado pelos joanetes e os pés inchados de anos na repartição pública, prometia mesmo assim grandes coisas, dessem-lhe umas luzes e algum espaço (a que logo chamaria ali, sem pudor kitsch nenhum, pista de dança).&lt;br /&gt;Ela também era, sem tirar nem pôr, um hipopótamo de desenho animado, e o que lhe faltava em tule e em saias de tu-tu e em sapatilhas de dançar em pontas sobrava-lhe em cabelo, liso e grisalho, que atirava em câmara lenta para trás dos ombros sempre que o ritmo da música no leitor de cassetes obsoleto e o espaço na carruagem assim o permitiam.&lt;br /&gt;Baton e rímel cor de rosa e calças boca de sino, de certeza que era discípula acérrima das publicações femininas e seguidora meticulosa de mantras enfardadores da auto estima, porque tinha o mesmo brilhozinho no canto dos olhos que as personagens dos primeiros musicais em Technicolor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Adoravelmente insegura, naive e hesitante da obesidade. Era russa. Tinha olhos de girassóis e sonhava com carrosséis de feiras ambulantes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Elefante-bébé com eyeliner numa camisola fuchsia com borbotos, eu de repente só queria levantar-me e levá-la pela mão a dançar aquelas músicas patéticas até de manhã; e quem sabe depois a dar uma volta ou duas na roda gigante ou comer algodão doce em Santa Monica. My, oh my...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-114556908730281201?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/114556908730281201/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=114556908730281201' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/114556908730281201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/114556908730281201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2006/04/sugar-baby-love.html' title='Sugar Baby Love'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-114140036049322204</id><published>2006-03-03T08:38:00.000-07:00</published><updated>2006-03-03T08:46:35.333-07:00</updated><title type='text'>Goethe não tem razão.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Goethe não tem razão. As pessoas não caem aos pés das outras, nem choram nas suas mãos. O amor não toca os surdos, não esmurra – nem tem mãos.&lt;br /&gt;E quando pintarem o quadro do que ama e diz que ama, as mais belas palavras que se podiam juntar em danças impressionantes e que – dizem – fizeram os castelos da Humanidade até ao céu ou até às estrelas ou até onde se quis (porque afinal, bem vistas as coisas, eram só palavras), serão tinta plástica e transparência disfarçada de imitação de luz emprestada; e o que há é o sujeito ajoelhado, desfeito em lágrimas, e mais nada.&lt;br /&gt;O amor ou é a dois e sempre foi ou não é nada nem há-de ser; o amor não pode sacudir ninguém pelos ombros.&lt;br /&gt;Nem sequer tem dedos; não convence ninguém, o amor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Da próxima vez, ri-te. Ri-te; que Goethe não tem razão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-114140036049322204?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/114140036049322204/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=114140036049322204' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/114140036049322204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/114140036049322204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2006/03/goethe-no-tem-razo.html' title='Goethe não tem razão.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-114055011560274012</id><published>2006-02-21T12:23:00.000-07:00</published><updated>2006-02-23T13:28:33.396-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;"If that train left the ground and I was on it, I would regret it.&lt;br /&gt;Maybe not today, maybe not tomorrow, but soon;&lt;br /&gt;and for the rest of my life."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;And, my darling, yes: We'll always, always have Paris&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-114055011560274012?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/114055011560274012/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=114055011560274012' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/114055011560274012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/114055011560274012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2006/02/if-that-train-left-ground-and-i-was-on.html' title=''/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-114027413092618495</id><published>2006-02-18T07:46:00.000-07:00</published><updated>2006-02-18T07:48:50.940-07:00</updated><title type='text'>The Wings.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sim, o ecrã era uma varanda rasgada sobre qualquer coisa de grande, de muito grande, em que tudo era maior do que nós, e havia muito céu.&lt;br /&gt;Mas eu só tinha vertigens da pele dela, porque lá à frente, sempre lá à frente, para lá das montanhas e das nuvens e dos rios (desconfio que para lá do próprio céu), as nossas mãos já se tinham dado e estavam quietas a sentir-se pela primeira vez; em todo aquele horizonte que havia e era de pele.&lt;br /&gt;E então passámos nós a ser maiores, muito maiores que o mundo enorme sobre que nos debruçávamos como se fosse a primeira vez.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(tu sabes e eu sei que a música estava lá para nós)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-114027413092618495?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/114027413092618495/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=114027413092618495' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/114027413092618495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/114027413092618495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2006/02/wings.html' title='The Wings.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-113983675575230069</id><published>2006-02-13T06:13:00.000-07:00</published><updated>2006-02-13T06:19:15.770-07:00</updated><title type='text'>Das intermitências epistémicas III.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;D. Quixote da pós-modernidade urbana fazia e refazia os filmes como muito bem entendia.&lt;br /&gt;Andava no metro sujo e escuro e isso era poético por uma tal estética do subúrbio; encontrava a paixão da sua vida na zona de restauração do centro comercial porque já ali haviam estado antes e portanto era um clássico, e alumínios e &lt;em&gt;neons&lt;/em&gt; e pacotes de plástico podiam bem despertar certa comoção &lt;em&gt;kitsch&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;D. Quixote da pós-modernidade urbana ia muito ao cinema, mas com os filmes já feitos. E queria, porque queria, que o amor fosse puro e romântico e de uma vida inteira sem interposta pessoa e sem desvarios efémeros, vulgo &lt;em&gt;one night stand, &lt;/em&gt;que era para chorar no fim.&lt;br /&gt;Vulgar e ordinariamente, a esta admirável, adorável personagem era apontada a crítica desdenhosa e quase complacente, quase displicente, do ‘tu-não-percebeste-nada-de-nada-do-filme-foi-o-que-foi’.&lt;br /&gt;Uma pena, a falta de sensibilidade poética. Uma pena.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-113983675575230069?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/113983675575230069/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=113983675575230069' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113983675575230069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113983675575230069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2006/02/das-intermitncias-epistmicas-iii.html' title='Das intermitências epistémicas III.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-113923571643244727</id><published>2006-02-06T07:20:00.000-07:00</published><updated>2006-02-06T07:21:56.433-07:00</updated><title type='text'>Das intermitências epistémicas II.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um encontro marcado com a rapariga que acabou de entrar em cena, com papel desconhecido mas que, desconfiamos, porque é tão bonita e terrivelmente inteligente, há-de ser importante, é das coisas mais frágeis que há.&lt;br /&gt;Vamo-nos deitar com mil planos de conversa e de postura e acordamos no dia seguinte a rever passo a passo o que definimos. E sinal inequívoco do grau de importância da situação é o medo tremendo que temos de ligar o telemóvel e achar alguma mensagem inocentemente demolidora, demolidoramente inocente, que diga que surgiu um não-sei-quê-urgente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acreditamos que se não ligarmos o telemóvel tudo vai correr bem, maravilhosamente bem; mas só mantemos uma resolução deste tipo até ao momento de nos irmos arranjar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-113923571643244727?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/113923571643244727/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=113923571643244727' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113923571643244727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113923571643244727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2006/02/das-intermitncias-epistmicas-ii.html' title='Das intermitências epistémicas II.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-113923564510019723</id><published>2006-02-06T07:19:00.000-07:00</published><updated>2006-02-06T07:20:45.110-07:00</updated><title type='text'>Das intermitências epistémicas I.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;B. apertava o volante com força para segurar a vida da mãe até ele chegar ao hospital.&lt;br /&gt;Umas vezes acelerava loucamente, e parecia-lhe verosímil e aceitável cortar o espaço a direito porque a cada segundo a mãe lhe morria e ia morrer realmente estivesse ele ou não lá.&lt;br /&gt;Outras, abrandava; dava passagens e prioridades não prioritárias; agarrava-se a cada um dos conteúdos que ficavam para trás no enquadramento da janela do carro e deixava-se ficar para trás de si com eles, acreditando firmemente que fim era apenas e só quando chegasse ao hospital, e que antes disso ninguém podia morrer. E neste pensamento, imbuído que estava B. dessa responsabilidade absoluta, fazia o seu papel e dava por si a abdicar de chegar ao hospital de todo, que a mãe assim havia de ficar viva para sempre, para sempre à espera dele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era geralmente depois desta ideia que acelerava e segurava o volante com mais força e queria poder voar até ao hospital.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-113923564510019723?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/113923564510019723/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=113923564510019723' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113923564510019723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113923564510019723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2006/02/das-intermitncias-epistmicas-i.html' title='Das intermitências epistémicas I.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-113698860502920431</id><published>2006-01-11T07:08:00.000-07:00</published><updated>2006-01-11T07:10:05.046-07:00</updated><title type='text'>Breakfast at Tiffany's.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Miss Golightly and me we once planned to go downtown and see Breakfast at Tiffany’s; but we never made it there for she was always very busy, very busy indeed.&lt;br /&gt;Miss Golightly and me we then planned to go for a day walk and do things we had never done before; but she never really took me to Tiffany’s, the place where nothing bad could ever happen (or so she said).&lt;br /&gt;Miss Golightly and me we planned a lot of glamourous things, while crossing summer nights and streetlamp lights, with nothing but the movie scenes we never got to see ahead.&lt;br /&gt;And no one could smoke like Miss Golightly smoked; and no one had such a small face behind such enormous sunglasses, peeking at the diamonds in the shopwindow.&lt;br /&gt;And no one could sing like Miss Golightly could sing.&lt;br /&gt;Miss Golightly and me we parted when summertime was over, after I told her ‘I love you’ and she said ‘so what?’. I never got to say ‘so what?! So plenty!’ and Miss Golightly never went back for the cat.&lt;br /&gt;Miss Golightly and me we belonged to nobody and nobody belonged to us. We didn’t even belong to each other, Miss Golightly and me.&lt;br /&gt;It was just waiting round the bend.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Moonriver and me.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-113698860502920431?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/113698860502920431/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=113698860502920431' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113698860502920431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113698860502920431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2006/01/breakfast-at-tiffanys.html' title='Breakfast at Tiffany&apos;s.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-113587722589893265</id><published>2005-12-29T10:25:00.000-07:00</published><updated>2005-12-29T10:29:04.436-07:00</updated><title type='text'>Sobre o tratamento do material de escrita.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Houve uma pessoa que se sentou numa casa vazia, apaixonada pela sua mente.&lt;br /&gt;Que era bela e que tinha estilo, oh, imenso estilo – dizia a pessoa sentada na casa vazia, feliz em estar contente apaixonada pela sua mente.&lt;br /&gt;A casa era numa praia porque estas casas são sempre em praias, e era Inverno, porque era preciso nevoeiro alto, frio azul-cinza, e chuva e lareira à noite, e porque era preciso que a praia estivesse vazia.&lt;br /&gt;Já disse que os dias eram azul-cinza, que é um azul muito frio, mas que por ser muito claro é muito quieto e as pessoas tendem normalmente a associar com a paz.&lt;br /&gt;Ora, a pessoa que se sentou na casa vazia no Inverno da praia vazia também tinha os olhos azuis, muito azuis e muito abertos.&lt;br /&gt;Meu amor, meu amor – dizia a pessoa sentada na casa vazia, com os olhos muito azuis muito abertos contra o céu – como fiz bem em deixar-te e trazer-te para aqui, onde tu estejas a salvo de ti e eu esteja a salvo do que te fazias.&lt;br /&gt;Ao final da tarde o vento levantava ondas que se rasgavam contra as rochas do penedo onde ficava a casa vazia, e a pessoa que lá se foi sentar sorria sempre e dizia:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não te quero ver mais, nunca mais, nunca mais, nunca mais…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-113587722589893265?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/113587722589893265/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=113587722589893265' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113587722589893265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113587722589893265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/12/sobre-o-tratamento-do-material-de.html' title='Sobre o tratamento do material de escrita.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-113355661362139209</id><published>2005-12-02T13:46:00.000-07:00</published><updated>2005-12-04T04:01:21.270-07:00</updated><title type='text'>A morte da personagem.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A pessoa estrangeira acaba de lhe tocar no ombro. Quer chamar a atenção para que não leve o filme tão a sério, que é o melhor que tem a fazer; e a primeira resposta que dá Jean não pode deixar de ser a que ouviu uma vez num filme, e que é esta: ‘&lt;em&gt;you know I always fall in love with leader players.&lt;/em&gt;’&lt;br /&gt;Rebecca DeWinter acabou mesmo por perder a paciência, como seria de esperar. Diz ela então que não há razão nenhuma para que julgue Jean conhecê-la, que Rebecca DeWinter nunca foi realmente Rebecca DeWinter, que acabou a conversa e faça ele com isso o que bem entender.&lt;br /&gt;Antes de deixar os filmes, é agora Jean Maxim DeWinter, que vai assassinar Rebecca, à falta de poder matar a própria crueldade, que ganha sempre, &lt;em&gt;‘in the end, Rebecca always wins’&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Mas no fim a segunda resposta já nem chega a ser proferida: talvez tenha sido uma grande gentileza da parte de quem desempenha o papel da encantadora personagem ter-se dignado a aparecer finalmente e avisar, mas como não há estrangeiro nenhum que não seja indiferente, já Jean é Jean outra vez e vira as costas e deixa para trás as letras do genérico do fim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Veio a estrangeira, morreu a personagem; Jean nunca foi tão livre como quando deixou de dever aos espelhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-113355661362139209?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/113355661362139209/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=113355661362139209' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113355661362139209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113355661362139209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/12/morte-da-personagem.html' title='A morte da personagem.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-113217643255485550</id><published>2005-11-16T14:24:00.000-07:00</published><updated>2005-11-16T14:27:12.590-07:00</updated><title type='text'>O assassinato do rapaz, ou dos ciúmes.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aquilo que se diz por aí é que o rapaz morreu de amores, e que o encontraram estendido no sofá da sala com a arma na mão.&lt;br /&gt;Um desperdício, diga-se desde já, que um rapaz tão inteligente e tão interessado morresse assim, de desgosto; como se desgostos não os tivessem todos, inteligentes e idiotas; e como se este fosse do tipo obcecado. Não. Não se diria dele por exemplo que deixaria de ler para ficar estendido no sofá a pensar na rapariga. Muitíssimo equilibrado, o rapaz; uma pena.&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na mesa de café onde estão P. e a rapariga mais bonita do mundo, está também um rapaz de ambos conhecido, e com o qual até nem se pode dizer que se dêem mal, pelo contrário, que já não seria a primeira nem a segunda vez que estavam todos juntos em semelhante situação, e que é a de se sentarem descontraidamente a falar e a rir e a lanchar ao fim da tarde.&lt;br /&gt;Esse rapaz é, inclusivamente, agradável e cordial e de sentido de humor inteligente e tudo, coisa que P. apreciaria grandemente não fosse o facto de a rapariga mais bonita do mundo pensar da mesma forma e estar empenhadíssima numa qualquer conversa com ele, e na qual P. não está a participar porque se recusa a participar, a interessar-se ou tão pouco a seguir.&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;‘Queres beber alguma coisa?’, perguntou o rapaz.&lt;br /&gt;E quem entrou na sala disse que sim, que aceitava um Martini, pelo que o rapaz, que é o dono da casa onde isto se passou, esteve de costas a servir a bebida durante todo o tempo em que ambos tiveram a conversa, que de resto não foi mais do que isto:&lt;br /&gt;‘Então, achaste que estavas à altura dela?’, começou quem entrou na casa do rapaz, como quem não quer perder tempo com preâmbulos eufemistas, ao que o rapaz, que foi apanhado na maior das surpresas, reagiu pousando a garrafa da qual estava a encher o copo e assim ficando em silêncio, de costas para quem perguntou, durante algum tempo, até que achou que pelo melhor seria responder que não sabia o que queria dizer com aquilo.&lt;br /&gt;Com isto riu-se a pessoa que estava na sala do rapaz, e riu-se bastante e durante algum tempo. E o rapaz, sentindo-se mais descontraído, que, afinal, parecia que aquilo não era senão uma brincadeira, virou-se e dirigiu-se-lhe para lhe entregar a bebida.&lt;br /&gt;‘Oh, vá lá,’, ria-se sem parar quem estava de pé na sala, ‘Não podes ter achado mesmo que estavas à altura dela…’, e pegou no copo e bebeu um ou dois golos, depois pôs uma mão no ombro do rapaz e parecia que ia ficar tudo bem, porque lhe disse que realmente era incrível, admirável, o efeito que uma rapariga como aquela podia ter nas pessoas.&lt;br /&gt;Ainda sorriu apologeticamente o rapaz, como quem acabou de saber que não está sozinho porque há no mundo quem o compreende, antes de ver, com o maior dos espantos, que a pessoa que tão benevolentemente lhe falava acabava de tirar do bolso de dentro do sobretudo uma pistola, e, mais, que lha apontava à cara.&lt;br /&gt;‘Sabes, é notável o que uma rapariga como aquela pode levar as pessoas a fazer… Senão repara, eu vim a tua casa, apontar-te uma arma, e estou prestes a assassinar-te; a cometer um crime, e logo um crime destes; mais, meu caro: por motivos passionais! Trágico, deliciosamente cinematográfico!’, e deu mais um golo, antes de perder todo o sorriso e acrescentar com a maior das seriedades:&lt;br /&gt;‘Ou’, começou, enquanto avançava os dois passos que de si distavam ao rapaz, ‘imagina, tu, perdido de amores e de desespero; que ela é de facto linda, e tu sentas-te com ela e ela é o centro das atenções sem prestar atenção a quem quer que seja. Tu vais aguentando, até que um dia’, e nesta altura estava o cano da pistola encostado à testa do rapaz, que estava lívido e incapaz de pensar no que dizer para sair daquela situação e, de resto, ainda que achasse as mais acertadas das palavras, de reunir as forças para o fazer, ‘não suportas mais e abandonas-te à tragicidade surda do teu próprio filme que, cúmulo do desespero, ela nem nunca quis ver, que não faz parte da natureza dela perguntar se estás bem, se estás triste ou, se estás, porque estás, porquê. Imagina só o que vão dizer…’,&lt;br /&gt;E parecia ainda ecoar na sala o ruído metálico da arma a ser destravada, e que, pelo menos assim pareceu ao rapaz, isso soava muito mais alto do que nos filmes se podia notar, quando foi disparado o tiro.&lt;br /&gt;Caiu o rapaz num dos sofás, pálido como um fantasma e coberto de suor frio, de nem se poder aguentar nas pernas, tão trémulas e fracas ficaram.&lt;br /&gt;‘Notável’, riu-se a pessoa que devolveu a arma ao bolso interior do sobretudo, enquanto pousava o copo vazio na mesa que ao lado do sofá estava, ‘Absolutamente notável, o ponto a que uma rapariga como aquela nos pode fazer chegar…’&lt;br /&gt;E como via que o rapaz não reagia, acrescentou ‘Bem, parece que agora já sabes que não estás à altura, não é verdade?’&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Levantou-se o rapaz da mesa de P. e da rapariga mais bonita do mundo, não sem antes dar muitas e efusivas mostras de quanto o alegrava estar com os seus amigos, e que tinham, mas mesmo, de repetir tardes daquelas mais vezes.&lt;br /&gt;A rapariga mais bonita do mundo sorriu o sorriso mais bonito do mundo e disse que isso seria óptimo.&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se o rapaz do sofá, sabe-se lá como recomposto do enorme choque por que acabara de passar, e gritou louco de fúria para a pessoa que ia mesmo naquele momento atravessar a porta da rua:&lt;br /&gt;‘Passaste-te, passaste-te completamente!’&lt;br /&gt;E assim, portanto, não teve a pessoa que ia sair da casa outra escolha senão voltar atrás para deixar, depois de limpar propriamente as impressões digitais, a arma no sofá, junto à mão inerte do rapaz morto assim que o segundo tiro daquela noite fora disparado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-113217643255485550?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/113217643255485550/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=113217643255485550' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113217643255485550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113217643255485550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/11/o-assassinato-do-rapaz-ou-dos-cimes.html' title='O assassinato do rapaz, ou dos ciúmes.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-113199389729666558</id><published>2005-11-14T11:41:00.000-07:00</published><updated>2005-11-14T13:38:43.460-07:00</updated><title type='text'>Os chamados corações partidos, à tarde.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Saiu de casa o homem que entrou no prédio não faz muito tempo; coisa de vinte minutos, o tempo de trocar a roupa do dia de trabalho ou de aulas na faculdade, não se pode saber ao certo, que ele aparenta ter idade para ambos, pelo fato treino e pelos ténis.&lt;br /&gt;Tendo tido a inteligência de não se deter à saída do prédio em considerações acerca da direcção a tomar, o homem começou a correr mal aterrou no passeio do salto que deu do cimo dos três ou quatro degraus que ainda separam a porta da rua.&lt;br /&gt;Não há poesia nenhuma em começar a correr; antes que o corpo doa, muito antes de o corpo doer, perde-se o ar, mas o homem que vai a correr tem uma paciência infinita e espera até que o ar pare de lhe rasgar a garganta, até que os pulmões deixem de empurrar o coração para a boca, e de repente já não precisa de respirar, ou se precisa não repara, e já é todo corpo.&lt;br /&gt;Sabe o homem que vai a correr que é quando começa a doer o corpo que se não pode parar, e aumenta a velocidade. Sente o chão contra as solas dos ténis e contra as plantas dos pés, que queimam e latejam como queimam e latejam as pernas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E é quando pode distinguir claramente o sangue que passa nas veias, de tal maneira que estas agora se transformaram em cordas que lhe apertam a carne até a dor o enlouquecer, que ele pode rir o riso selvagem dos loucos e correr mais rápido ainda. E mais rápido ainda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E pronto, é neste ponto que começa toda a poesia: o homem que vai a correr descolou-se de si e pode fazer o que quiser. O corpo é-lhe tão leve que pode mandar as pernas correrem tanto que no mesmo momento em que estão a deixar chão para trás se lançam já para o passo seguinte, para o pedaço de chão seguinte, e é assim que em geral é conseguida a proeza notável de se estar já do lado de lá de si.&lt;br /&gt;Não vê nada mas engole tudo com o ar. Corre, corre, corre, pensa o homem que vai dentro do homem que corre, só para ver até onde vai a resistência do seu isolamento face ao ardor das pernas, só para ver se está mesmo imune a morrer, só para se entreter por um bocado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas corre mais rápido o homem que vai dentro do homem que vai a correr; muito mais rápido do que este que agora corta o ar e corta a rua para o apanhar. E portanto daqui a pouco é provável que este largue o chão e se projecte para onde julga estar o outro, que já lá não há-de estar, mas mais à frente.&lt;br /&gt;Corre mais rápido, muito mais rápido que o que vai a correr, o homem que vai dentro do homem que está a correr e que agora mesmo acabou de passar pelo banco do jardim onde está sentado o velho sem-abrigo, ao lado, mas respeitando as conveniências, um numa ponta, outro noutra ponta do banco, de um pacote de vinho tinto de cozinha. Não se pode ver a cara ao velho sem abrigo porque ele está a olhar para o chão e tem a testa apoiada nas mãos, mas repare-se que totalmente indiferente à loucura que no velho cresce, por tanto lhe querer pegar, está o pacote de vinho. E de resto outra coisa não seria de esperar por qualquer pessoa mentalmente saudável que ali passe e não esteja tão perdidamente dependente do pacote de vinho como está o velho.&lt;br /&gt;Mas para ele, que não vê mais nada além da única coisa para que não vai olhar, é uma crueldade intolerável que não haja qualquer reacção, que nada daquilo que o está a dilacerar esteja a matar também o vinho que pode estar ali, tão completamente apenas estar ali, enquanto ele morre por dentro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E durante todo este tempo que a mulher que está a fazer um intervalo na prática intensiva a que se propôs para esta tarde (a ver se é desta que finalmente consegue executar na perfeição a maldita peça de Bach no seu violoncelo...) esteve à janela, não viu ela que o homem que se perseguia parasse de correr ou abrandasse de todo a corrida, ou que o velho sem abrigo ousasse espreitar, nem sequer pelo canto do olho, o pacote de vinho que está na outra ponta do banco de jardim, tão longe, tão irremediavelmente longe como o próprio fim do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-113199389729666558?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/113199389729666558/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=113199389729666558' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113199389729666558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113199389729666558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/11/os-chamados-coraes-partidos-tarde.html' title='Os chamados corações partidos, à tarde.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-113180112743241931</id><published>2005-11-12T06:08:00.000-07:00</published><updated>2005-11-12T06:12:07.450-07:00</updated><title type='text'>de dançar com a tristeza.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vejo os outros e cresce-me descontrolado, nem sei de onde, o prazer brutal de saber que ninguém escreve sobre ti como eu.&lt;br /&gt;Ninguém, nem eu, te soube dizer que eras luz e que eras tudo, mas ninguém há-de atravessar a noite como eu, com tudo tão bem escrito nos olhos e no sangue, quando em ti posso achar todas as palavras que se inventaram e escolher as melhores, para trazer nas mãos, como holograma, a melhor das frases, e tê-la ali pronta, pontuação e tudo, enquanto caminhas ao meu lado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esmaga-me, como a todos mas talvez mais, ver os teus olhos e ver-te rir, mais o quanto te amo; e estou insuperavelmente só a ser o melhor dos poemas de ti.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-113180112743241931?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/113180112743241931/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=113180112743241931' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113180112743241931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113180112743241931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/11/de-danar-com-tristeza.html' title='de dançar com a tristeza.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-113042826369445078</id><published>2005-10-27T08:46:00.000-07:00</published><updated>2005-10-27T08:51:03.706-07:00</updated><title type='text'>de propósito.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu quis ficar no canto extremo da casa onde está a janela que dá para o fim da rua até te ver aparecer lá.&lt;br /&gt;E não quis falar com ninguém nem ver quem quer que fosse e não quis, jamais, por razão alguma, sair de casa, até te ver chegar.&lt;br /&gt;E quis quebrar-me assim tão longe só para que me viesses buscar.&lt;br /&gt;E quis quebrar-me assim tanto para que me tocasses.&lt;br /&gt;E quis largar-me aqui e esconder-me atrás da porta só mesmo para ver o que farias quando me encontrasses assim.&lt;br /&gt;Se me fechasse em casa durante dias e não fizesse rigorosamente nada e não fosse nunca ao mundo e chorasse e fizesse questão de não pensar em mais nada sem ser em ti, não era por mim. Nem queria dizer que o que queria fosse mesmo ficar em casa sem ver ninguém nem fazer nada.&lt;br /&gt;E quis deixar-me em casa sem que soubesses de mim de propósito, em estilhaços preocupantes, como isco para te ver ver-me chorar. Eu na verdade não choro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu nunca quis ver outra coisa que não fosse tu a chegares.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-113042826369445078?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/113042826369445078/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=113042826369445078' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113042826369445078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/113042826369445078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/10/de-propsito.html' title='de propósito.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-112993650200341858</id><published>2005-10-21T16:13:00.000-07:00</published><updated>2005-10-21T16:23:24.396-07:00</updated><title type='text'>We want Prince</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;I can go there anytime, anywhere it is that we talk about, and don’t need to worry a bit about how to start it out; baby’s got the moves.&lt;br /&gt;We go there because we love it when the back-up singers rise and race the bass above the drums, up to the strathosphere, up to the strathosphere we go. And who’s to know who will win and how the song is to end.&lt;br /&gt;We go there, we do love a good match.&lt;br /&gt;Oh and baby sure has the moves. She starts it all and thus the beat is born; just like the world out of a god. I’m getting more and more certain all the songs were made for her to dance mortality away, so I turn and say ‘hey babe, you know what?, I think we might make it for tonight.’&lt;br /&gt;(Now, inclined though you may feel to worship her, take a spin and prance your shoulders; have a drink or two. Hold on, because you have seen nothing yet.)&lt;br /&gt;Not until the beat overules our hearts and we can swear the music is coming right out of our fingertips, can we pray for more, more, more of the unsolvable question: will it be the bass or the vocals the leader to the fade out of the song the night is? (assuming, of course, both of them and all of us survive the pumping that hits the air.)&lt;br /&gt;Now that the white lights are likely to kill us if we stay on the ground, it’s a matter of survival that we keep dancing.&lt;br /&gt;Oh no, we don’t even care how it’s properly done. Oh no, we couldn’t even dance to save our lives. But baby’s got the moves. She sure has the moves, and we’re safe enough in the knowledge that every song in this world was made for her and her alone to dance mortality away. That must be enough to ask for more.&lt;br /&gt;Now, now we can scream for more.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-112993650200341858?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/112993650200341858/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=112993650200341858' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112993650200341858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112993650200341858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/10/we-want-prince.html' title='We want Prince'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-112915793450053083</id><published>2005-10-12T15:57:00.000-07:00</published><updated>2005-10-12T15:58:54.506-07:00</updated><title type='text'>As mãos.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tu e eu caminhávamos na rua molhada de chuva.&lt;br /&gt;E ríamos e falávamos e quando olhavas para mim e eu olhava para ti as minhas mãos cresciam e eram as mãos maiores do mundo a quererem, e a quererem porque podiam, abraçar-te.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tu e eu caminhávamos na rua e os nossos dias brilhavam-me, como a rua molhada ao sol, no espaço todo que vai da ponta dos indicadores à ponta dos polegares; e eu amava-te, eu amava-te mais do que podia dizer a versão aumentada de mim que sempre sou contigo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-112915793450053083?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/112915793450053083/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=112915793450053083' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112915793450053083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112915793450053083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/10/as-mos.html' title='As mãos.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-112898157932103657</id><published>2005-10-10T14:56:00.000-07:00</published><updated>2005-10-11T15:24:58.156-07:00</updated><title type='text'>sobre o estatuto público das palavras.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Claro que a mais bela carta de amor de todos os tempos não é qualquer uma que seja sincera, claro que não é muito relativo, não é nada relativo, é mesmo precisa toda a arte do mundo para se fugir ao facto inegável de que todas as palavras que existem estão ao alcance de qualquer um.&lt;br /&gt;Mas como também é claro que ninguém vai acreditar que a carta de amor que escrevemos é a mais bela de todos os tempos, encolhemos os ombros e já nem nos preocupamos muito em fazê-los ver que as coisas são mesmo assim, que nunca ninguém amou como nós ou há-de vir a amar.&lt;br /&gt;E só podemos esperar que o vazio da vulgarização não nos magoe demasiado quando não tivermos outra língua para dizer ‘amo-te’.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;(Ainda assim, é tão óbvio que certas palavras esperaram desde sempre para poderem &lt;em&gt;finalmente&lt;/em&gt; ser usadas com propriedade.)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-112898157932103657?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/112898157932103657/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=112898157932103657' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112898157932103657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112898157932103657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/10/sobre-o-estatuto-pblico-das-palavras.html' title='sobre o estatuto público das palavras.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-112868877405339463</id><published>2005-10-07T05:37:00.000-07:00</published><updated>2005-10-07T05:39:34.060-07:00</updated><title type='text'>Improviso sobre ser-se espaço.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As mãos que se juntam estão tão distantes como a terra do céu, no espaço insuperável que cada uma ocupa, e nunca ninguém está verdadeiramente com ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há uma solidão, uma solidão infinita em estar-se coberto de pele.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-112868877405339463?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/112868877405339463/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=112868877405339463' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112868877405339463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112868877405339463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/10/improviso-sobre-ser-se-espao.html' title='Improviso sobre ser-se espaço.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-112845625967315161</id><published>2005-10-04T13:02:00.000-07:00</published><updated>2005-10-04T13:04:19.680-07:00</updated><title type='text'>Dry Martini</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O divertimento eufórico está intimamente ligado ao mais épico estado trágico, e a linha que separa o riso pelo riso da depressão vertiginosa é tão ténue como a superfície fria quase definida, quase coisa nenhuma da bebida que seguramos agora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E onde vamos ficar quando todas as luzes girarem demasiado depressa é exactamente entre a última gargalhada e o primeiro esgar de dor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-112845625967315161?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/112845625967315161/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=112845625967315161' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112845625967315161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112845625967315161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/10/dry-martini.html' title='Dry Martini'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-112820412802724903</id><published>2005-10-01T14:54:00.000-07:00</published><updated>2005-10-02T05:10:11.640-07:00</updated><title type='text'>Da motivação de autor.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Digamos que na maior parte do tempo ela vive bem com o facto de não vir a ser imortal, com o facto de ter sido, até agora, perfeitamente incapaz de criar o que quer que seja que subsista por si próprio nos modos de existência por ela facultados e que desse modo a encerre em si, por tanto tempo quanto existir, como forma da sua identidade; isto é, que ela vive relativamente bem com o facto de não ter ‘obra’. Digamos que nem é o fim do mundo que ela não seja excepcionalmente dotada em qualquer das áreas a que se dedique, mesmo que se dedique apaixonadamente. Digamos que ela até se distrai bastante.&lt;br /&gt;Se uma noite acontecer que o tempo todo se lhe colapse em cima, como quando ouvimos música e nos parece que o mundo inteiro está envolto nesse véu invisível, de tal modo que já nada se passa que não esteja em conexão com tudo o resto, e que portanto tudo o que se vai passar está já, de algum modo, presente, então é possível que ela sinta vertigens de si própria e do céu infinito de projectos e ambições indizíveis que traz em si comprimido.&lt;br /&gt;Digamos que há noites em que ela morre de medo da morte e de não ter talento nenhum de especial.&lt;br /&gt;Quando ela tiver medo, eu vou escrever que ela teve medo do mais belo modo que é possível ter medo. Quando ela não conseguir dormir, ou sequer deitar-se ou sentar-se, e na verdade não estiver bem onde ou como quer que seja, eu vou escrever que ela desejou com força maior que os homens. Quando ela não aguentar de angústia por nem saber que nomes dar aos sonhos de grandeza que tem, eu vou escrever que ela teve o universo inteiro dentro dela, os céus e a água e as rosas e as horas e mais o fogo.&lt;br /&gt;Sempre que ela chorar eu hei-de arranjar maneira de o mundo me acreditar para sempre que as lágrimas dela são diamantes novíssimos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E na manhã seguinte ela será imortal e intocável uma vez mais, só por ser a mais bela de todas e a que mais amo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;Isto&lt;/em&gt; &lt;em&gt;pensou quem segue no eléctrico que ainda agora desapareceu na luz quase líquida do final da tarde reflectida em todos os espelhos e em todos os vidros dos inúmeros carros que circulam na cidade a esta hora.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-112820412802724903?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/112820412802724903/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=112820412802724903' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112820412802724903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112820412802724903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/10/da-motivao-de-autor.html' title='Da motivação de autor.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-112198102520542683</id><published>2005-07-21T14:21:00.000-07:00</published><updated>2005-07-21T14:23:45.213-07:00</updated><title type='text'>Da igualdade.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Diria qualquer coisa deste género: “creio que o maior privilégio que temos é o contacto com a arte; mais: a contemplação simultânea, composição numa imagem única, da cena de um filme, do capítulo de um livro, e acrescentar-lhes o mais subtil e inteligente dos acordes de certa música. E sentirmo-nos tão inteligentes e tudo…”, não fosse uma certa arrogância bem restaurada que me faz não deixar de pensar que no fundo, no fundo, eu podia perfeitamente ter feito tudo aquilo que é imortal e até muito melhor, e que, de resto, é o que vou fazendo, noite após noite, quando fico acordada a escrever ou, mais que não seja, a pensar, imóvel, magnificamente esmagada pela sensação de que isso que penso é tão enorme que me deixa incapaz de qualquer movimento.&lt;br /&gt;E eu diria qualquer coisa como “foste tu, sabes, que me fizeste assim”, não fosse a preferência por letras inteligentes e frases sólidas que não me deixa mais pôr estrelas em lado nenhum, nem sentir simpatia alguma por esses que carregam o passado todo num brilho gasto do olhar e num sorriso magoado de quem já viu tudo, mas tudo mesmo, e já só procura um bálsamo qualquer e uma morte quieta como uma vela.&lt;br /&gt;É bastante óbvio que não me fizeste; que não me salvaste a vida nem nada dessas coisas que noutra altura me teria sentido tentada a dizer. De resto, nós somos tão iguais que seria estúpido da minha parte dizer-te divindade demiurga; e eu não te devo mais do que não te dever nada.&lt;br /&gt;Diria certamente qualquer coisa deste género: “que te amo infinitamente”, não fosse o facto de querer, mas mesmo, estar ao teu lado, e de isso da comoção do espanto sempre novo perante pele e olhos e sorriso ser coisa de outros dias.&lt;br /&gt;Acho sinceramente que seria uma pena estragar-te em versos. Os versos são de quem fica de fora contente com brilhos e lágrimas a rimar. Até pode bem ser que sejas arte, que sejas tudo aquilo que de sublime nos costuma fazer sentir muito inteligentes; mas então eu sou muito capaz de ti, de achar que podias ser bem melhor aqui ou ali; e assim vê-se já que não há deuses ou que se os há somos nós, que somos iguais em tamanho e em natureza; e pronto: nem eu nem tu vamos morrer.&lt;br /&gt;Eu não preciso de poesia alguma nem de parar o mundo para te dizer isto, nem tenho de morrer para que me acredites; e, em relação a ti, só me interessa lutar ou dançar contigo. Repara, eu não tenho medo de nada; e, porque somos iguais, podia construir um castelo complexo de cinismos e de ironia e de sarcasmos, muralhas difíceis de aforismos intrincados que só os mais hábeis percebessem e os melhores penetrassem. E, quando lá estivesses dentro (que muito te atrai o ar de desafio da indiferença das muralhas), desmoroná-lo mesmo por cima de ti, abrupta e ruidosamente, como armadilha letal premeditada. Tudo isto só por saber que aprecias espíritos fortes que se arremessem contra o teu.&lt;br /&gt;Eu podia lutar contigo. Eu podia ferir-te de morte e salvar-te a vida.&lt;br /&gt;Está tudo no seu lugar: não esperes de mim que perca a vida para te ver enquanto dormes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Está tudo no seu lugar: eu sempre hei-de poder amar-te mais ainda. Só assim poderei largar-te e fechar os olhos e dormir ao teu lado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-112198102520542683?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/112198102520542683/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=112198102520542683' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112198102520542683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112198102520542683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/07/da-igualdade.html' title='Da igualdade.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-112086477415022769</id><published>2005-07-08T16:10:00.000-07:00</published><updated>2005-07-09T04:56:58.013-07:00</updated><title type='text'>A noite em que mataram Adriano Torres. (início de conto improvisado e sem compromisso de continuidade)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O homem da arma era o mais calmo da sala, enquanto tentava abrir passagem sem magoar ninguém.&lt;br /&gt;-Não, não, não – ele repetia, sempre que alguém o tentava bloquear. – É só Adriano Torres que deve morrer esta noite.&lt;br /&gt;E assim que disparava um ou dois tiros para o ar as pessoas tornavam-se mais fáceis de desviar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O homem da arma avançou sozinho por entre o grupo de vagabundos que circulava pela sala de convívio do centro de apoio, e era espantoso que o preto das roupas que vestia contrastasse tanto com todas as cores usadas pelos vagabundos numa hibridez insípida de conjugação fortuita que não teria resultado diferente fossem outras as roupas ou a sua disposição na sala.&lt;br /&gt;“Revoltante”, pensava o homem da arma, ao observar com cuidado os rostos esquálidos que o rodeavam, “revoltante que a sensação de arbitrariedade se tenha instalado por serem todos tão exactamente iguais.”&lt;br /&gt;Disparou para o ar e perguntou por Adriano Torres, que, ele não saberia dizer, podia muito bem ser um dos que tinha imediatamente à sua frente.&lt;br /&gt;Que avançasse Adriano Torres, que ninguém saía daquela sala enquanto Adriano Torres não morresse.&lt;br /&gt;Porquê Adriano Torres?, perguntou o vagabundo mais perto.&lt;br /&gt;Disse o homem da arma que decidira que assim seria; que nessa noite não seria morto alguém, mas antes que, nessa noite, Adriano Torres morreria.&lt;br /&gt;Um tarado, evidentemente, era o consenso que ia crescendo em latência com o frio acrítico do terror instantâneo, e pensaram os vagabundos que matar alguém serviria.&lt;br /&gt;Ouça, que diferença lhe faz? Aqui ninguém é mais ou melhor que os outros; o senhor ou mate ao calhas ou nem se dê ao trabalho, que diferença é que lhe faz, de qualquer forma?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas o homem da arma repetiu bem alto: só Adriano Torres morreria nessa noite.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-112086477415022769?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/112086477415022769/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=112086477415022769' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112086477415022769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112086477415022769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/07/noite-em-que-mataram-adriano-torres.html' title='A noite em que mataram Adriano Torres. (início de conto improvisado e sem compromisso de continuidade)'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-112060797232266671</id><published>2005-07-05T16:16:00.000-07:00</published><updated>2005-07-05T17:03:34.283-07:00</updated><title type='text'>portraitology I - of the girl.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;The young woman would let her mind wander, if you spoke too seriously of serious matters she was ever so keen to forsake in the name of most venerable social pleasures.&lt;br /&gt;Very small and thin she was, with plenty of imperfections in her teeth and tiny hands which would most probably make you hate her deeply, was she not so likely to arise in you such exquisite irritation with her cynical smirks on passionate speeches, such violent, sudden will to grasp and shake her until you hurt her in her shoulders, whenever she would roll her eyes and say to you, in that magic spells speaking voice of hers, 'hey dear, take a grip on yourself, it's not like the world is goin' to end or anything, you know'.&lt;br /&gt;The young woman would not fall in love with anyone who wanted anything poetically smoother, anyone who wanted anything less than fighting or dancing.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;You may find yourself wanting to sit and hold her forever, for her skin is in fact adorable; but she will just smoke her cigarrette and walk away, so used she got to believe she owes no one nothing; just the kind of person who would turn to your complete misery and say all she wants to do is have fun, because life's so short and she is so young and all that. You will find how shockingly common she can be.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;And it's not like it isn't but defenses - it will make you mad but that is her way, you see, it’s not really her fault after all that you’ve fallen so deeply in love with her now.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-112060797232266671?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/112060797232266671/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=112060797232266671' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112060797232266671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112060797232266671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/07/portraitology-i-of-girl.html' title='portraitology I - of the girl.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-112030780184430976</id><published>2005-07-02T05:34:00.000-07:00</published><updated>2005-07-02T09:38:30.913-07:00</updated><title type='text'>La vie en rose.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Queremos correr e entrar sempre nos transportes no último momento; no último momento, mas apanhá-los sempre.&lt;br /&gt;Queremos correr e entrar sempre na sala da cinemateca mesmo antes de fecharem a porta; mesmo, mesmo antes, mas ainda ver o aparato magnífico do genérico da produtora do filme.&lt;br /&gt;Queremos sentar-nos na primeira ou na segunda fila e fixar a tela cheios de deslumbramento porque é assim que vemos nos filmes.&lt;br /&gt;Queremos correr a avenida nas noites de verão, correr e correr e correr mas não porque sim: porque a avenida é a descer e nós estamos no alto e vemos, como só vê quem lá está no alto, como é bela, ladeada de luzes e de árvores, e como temos mesmo, mesmo de mergulhar de cabeça nessa cena.&lt;br /&gt;Queremos cenas – sistemas finitos perfeitos em que o universo está todo, mesmo todo, vertido no aqui e no agora. Queremos correr e correr e correr e agarrá-las todas – estar lá.&lt;br /&gt;Queremos beijar na boca e ver-nos de fora de todos os ângulos. Queremos filmar os nossos beijos com todos os olhos do mundo como câmeras que girassem incessantemente à nossa volta. Queremos o geocentrismo de volta.&lt;br /&gt;Queremos juntar-nos a manifestações que passem na rua, desta vez só porque sim; ou porque queremos gritar e dar as mãos para não nos perdermos na multidão.&lt;br /&gt;Queremos – exigimos – um Maio de 68 a entrar-nos pela sala, como nos &lt;em&gt;Sonhadores&lt;/em&gt;, de Bertolucci.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E havemos de superar as limitações dos rádios e dos leitores de cd’s: havemos de correr e correr e correr e a música há-de tocar no ar que vai da pele ao céu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-112030780184430976?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/112030780184430976/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=112030780184430976' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112030780184430976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/112030780184430976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/07/la-vie-en-rose.html' title='La vie en rose.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-111954338153684706</id><published>2005-06-23T09:12:00.000-07:00</published><updated>2005-06-23T09:18:31.030-07:00</updated><title type='text'>in media res.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Já cá estava, já cá estava, Gritava o homem com olhos desvairados e o pescoço vermelho.&lt;br /&gt;Seria bem vulgar e até perfeitamente desejável que quem passasse ajuizasse que ele era louco. Porque quem fica tomado de um pânico súbito e violento em plena baixa da cidade, parado na torrente de gente, porque de repente não consegue apresentar uma razão que o leve mais numa direcção do que noutra, mas que, não obstante, tem que ir para algum lado porque entretanto tudo isto só lhe ocorreu quando já estava na rua, tem de ser louco e pronto.&lt;br /&gt;E que ninguém, nem mesmo os que conhecem este tipo de situação, pare para lhe dar uma palmadinha indulgente no ombro e dizer, Ouça, que quer fazer agora?, olhe, vá fazendo o melhor que puder…&lt;br /&gt;Que o louco não é louco porque compreende com choque que já lá estava antes de se aperceber do que quer que seja. O louco é louco por ficar parado à torreira do sol a pensar assim tanto no assunto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Portanto, eis aqui o que se diz nestas situações, o que verdadeiramente salva alguém nestas condições: Sim, sim, já cá estava, mas ande lá com isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-111954338153684706?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/111954338153684706/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=111954338153684706' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/111954338153684706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/111954338153684706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/06/in-media-res.html' title='in media res.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-111403947104516664</id><published>2005-04-20T16:19:00.000-07:00</published><updated>2005-04-21T09:44:18.580-07:00</updated><title type='text'>Escrever feliz, ou da paixão.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Todo o talento que se tenha não escreve nada, se se caminha na rua, numa tarde de Primavera, sem se conseguir parar de sorrir.&lt;br /&gt;Se, ao dobrar uma esquina, se depara com uma avenida cheia de gente e de luz e de movimento, e, ao respirar fundo, se toma consciência da quantidade incrível de ar que de repente passou a existir, então é praticamente certo que estamos salvos para o resto do dia.&lt;br /&gt;Note-se que não temos medo de nada, e que somos sábios o bastante para nos sentirmos muito satisfeitos pelos carros que passam; pelo próprio movimento.&lt;br /&gt;Porque a cidade é enorme, o céu é muito alto e, agora, passámos a ter todo o tempo do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aí torna-se muito óbvio, e já só se sorri: todo o talento que se tenha não escreve nada, não escreve rigorosamente nada da grandeza da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muito menos de como, ultimamente, se tornou alto, tão surpreendentemente alto, o céu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-111403947104516664?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/111403947104516664/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=111403947104516664' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/111403947104516664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/111403947104516664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/04/escrever-feliz-ou-da-paixo.html' title='Escrever feliz, ou da paixão.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-111281970674963473</id><published>2005-04-06T13:32:00.000-07:00</published><updated>2005-04-06T13:44:04.436-07:00</updated><title type='text'>sem título.</title><content type='html'>Se te amar agora, não julgues que posso matar o tempo assim, todo num instante, com a eternidade por arma, por o que sinto ser grande como o mundo e até muito maior porque está a acontecer todo agora até às estrelas, até às estrelas.&lt;br /&gt;E se te amar para sempre, não julgues que é drama sem sentido que este ser-se maior que o céu e que o tempo e trazê-los, em simultâneo, no peito e nos olhos, seja mais do que metáforas.&lt;br /&gt;Se te amar agora, se te amar assim, não te assustes, não te assustes com a parte que é maior, com a parte que é mais que poesia.&lt;br /&gt;E não te rias, não te rias… se agora te amar assim, tão para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-111281970674963473?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/111281970674963473/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=111281970674963473' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/111281970674963473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/111281970674963473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/04/sem-ttulo.html' title='sem título.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-111054606814838641</id><published>2005-03-11T05:58:00.000-07:00</published><updated>2005-03-11T06:08:13.850-07:00</updated><title type='text'>in between.</title><content type='html'>Cry, you perfectly able, in the untouchable between,&lt;br /&gt;when we all attend the next carnival to plunge in.&lt;br /&gt;Hurt, you time discipliner, you space inventor,&lt;br /&gt;for we’re too busy recovering to notice the centre,&lt;br /&gt;as we set up the lines for the following scene,&lt;br /&gt;as we blink and drink and breathe new air in.&lt;br /&gt;Go on, no one will find your sudden brim.&lt;br /&gt;You’ll be fine in between.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Come on, you perfectly able, you wisest manager of all,&lt;br /&gt;you have the perfect time to fall.&lt;br /&gt;And you’ll sure be fine now.&lt;br /&gt;Adoring your skin won’t let none of us in.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Easy, your sadness remains the loveliest I’ve seen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;So stay within.&lt;br /&gt;I’ll be waiting,&lt;br /&gt;pacing bravely around.&lt;br /&gt;I can only guess where you have gone now.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-111054606814838641?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/111054606814838641/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=111054606814838641' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/111054606814838641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/111054606814838641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/03/in-between.html' title='in between.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-110995143029383717</id><published>2005-03-04T08:49:00.000-07:00</published><updated>2005-03-04T08:50:30.296-07:00</updated><title type='text'>Improviso, à noite.</title><content type='html'>&lt;table id="HB_Mail_Container" height="100%" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" border="0" unselectable="on"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr height="100%" unselectable="on" width="100%"&gt;&lt;td id="HB_Focus_Element" valign="top" width="100%" background="" height="250" unselectable="off"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Notável, como a cama nos dói nas costas e nos braços e nas pernas, e como o escuro nos pesa incrivelmente nos olhos no momento exacto em que nos deitámos, depois de apagarmos a luz; que saibamos exactamente ao que vamos e ainda o esperemos, noite após noite, muito quietos, ou até – veja-se – desejosos, ansiosos, às voltas na cama; que só de manhã voltemos a nós e muito raramente nos lembremos do que quer que seja.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Simplesmente notável, que, mesmo assim, praticamente mais nada nos faça sentir tão a salvo, agora que o quarto se subtraiu à exigência quotidiana de se ser.&lt;br /&gt;Não fossemos nós intocáveis, seria de apavorar qualquer um, esperar no escuro…&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr unselectable="on" hb_tag="1"&gt;&lt;td style="FONT-SIZE: 1pt" height="1" unselectable="on"&gt;&lt;div id="hotbar_promo"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-110995143029383717?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/110995143029383717/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=110995143029383717' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110995143029383717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110995143029383717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/03/improviso-noite.html' title='Improviso, à noite.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-110971031712957505</id><published>2005-03-01T13:48:00.000-07:00</published><updated>2005-03-01T13:51:57.130-07:00</updated><title type='text'>Sobre a impotência.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A impotência está ligada à inevitabilidade; é evidente.&lt;br /&gt;Isso torna-se muito claro se se perceber o seguinte: que é justamente quando sabemos muitíssimo bem o que dizer ou o que fazer, tão bem que até já nos vemos a dizê-lo ou a fazê-lo com clareza e distinção, tal e qual como se nos observássemos de fora, e que é quando não somos mais o centro do mundo visto mas a periferia que o tudo parecia ser relativamente a nós, que percebemos muito bem que afinal nunca fomos centro nenhum mas periferia não por aí além crucial, não por aí além influente.&lt;br /&gt;Agora já nem nos parece que o que estávamos para dizer vá mudar assim tanta coisa, nem que o gesto que pensámos possa influir na ordem universal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E não é senão por isto que se perdem as mais fabulosas acções: por nos lembrarmos num momento inoportuno que não somos o centro do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-110971031712957505?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/110971031712957505/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=110971031712957505' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110971031712957505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110971031712957505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/03/sobre-impotncia.html' title='Sobre a impotência.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-110953179567743300</id><published>2005-02-27T12:14:00.000-07:00</published><updated>2005-02-27T12:16:35.680-07:00</updated><title type='text'>De um sonho.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Costumava sonhar que seguia no carro que pessoa nenhuma conduzia.&lt;br /&gt;Tinha a vaga ideia de que havia uma espécie qualquer de piloto automático, mas mesmo assim não me sentia muito confiante, porque estava sempre à espera de chocar de forma aparatosa com algum dos outros carros que também circulavam na estrada; e eu tinha a certeza absoluta de que todos os carros tinham condutor menos o meu; mas isso devia ser só por nunca ver nenhumas mãos no volante.&lt;br /&gt;Só que eu, que contava com acidentes tremendos, sabia ao mesmo tempo que nunca, nunca ia morrer.&lt;br /&gt;Ao longo da estrada havia candeeiros altos de luz branca que se sucediam no enquadramento da janela sempre iguais, sempre tão iguais que já se passava o mesmo que se passa nas viagens longas: torna-se impensável que, eventualmente, se tenha que chegar a algum lado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outro aspecto fundamental é que era sempre de noite.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-110953179567743300?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/110953179567743300/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=110953179567743300' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110953179567743300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110953179567743300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/02/de-um-sonho.html' title='De um sonho.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-110936606310900594</id><published>2005-02-25T14:06:00.000-07:00</published><updated>2005-02-25T14:25:08.466-07:00</updated><title type='text'>O coleccionador profissional.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Independentemente do objecto, uma colecção é sempre coisa séria, que requer dedicação sincera e um método rigoroso e apurado.&lt;br /&gt;Primeiro é preciso recolher o novo dado, pelo escrutínio acutilante do mundo que se tem à volta; mas ainda mais do que isto, é minha firme convicção que o coleccionador profissional já vê esse mundo naturalmente etiquetado, e que essa perspectivação inexoravelmente categorial é, à medida que vai ficando mais e mais à vontade neste processo, motivo de grande regozijo tanto para si próprio, como entre os seus semelhantes.&lt;br /&gt;A certa altura, por causa da prática, o escrutínio do mundo passa a ficar automaticamente aglutinado à catalogação dos dados e à sua inserção nos lugares na ordem da colecção que lhes são próprios; e este é o sinal por excelência de que o vulgo coleccionador se elevou, verdadeiramente, ao intelectualmente venerável patamar do coleccionador profissional.&lt;br /&gt;Não só ele domina como ninguém a arte de arquivar, como também tem a mestria incomparável e tão apreciada nas conversações dos dias que correm, de atirar sempre no momento mais oportuno o dado da sua colecção que mais a propósito calha na conversa que está a ter; conversa essa que, de resto, porque o coleccionador prefere a companhia de outros coleccionadores, não vai além da exposição, à vez, das coisas que cada um tem vindo a arquivar.&lt;br /&gt;Ora, isto passa-se  quer porque o coleccionador profissional sabe sempre perfeitamente onde arquivou cada dado, quer também porque ele já nem sequer encara as coisas senão nessa possibilidade maravilhosa que elas lhe abrem de atafulhar cada vez mais as suas brilhantes gavetas de arquivo.&lt;br /&gt;O coleccionador profissional geralmente é muito apreciado entre a comunidade de coleccionadores, ou entre aqueles que não fazem ideia nenhuma de que tudo quanto ele diz e opina e usa como argumento ou comentário nunca é muito mais do que uma soberba utilização do mundo posto em gavetas de arquivo organizadas de modo absolutamente invejável por separadores, quiçá mesmo por ordem alfabética ou qualquer outro critério (por temáticas também costuma funcionar muito bem).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas que ninguém venha dizer, no ardor da irritação que este espécime tende despertar nos sãos, que ele não tem valor nenhum; nada disso; porque no fundo, no fundo, o coleccionador profissional é um artista: o coleccionador profissional é um autêntico malabarista das etiquetas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-110936606310900594?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/110936606310900594/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=110936606310900594' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110936606310900594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110936606310900594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/02/o-coleccionador-profissional.html' title='O coleccionador profissional.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-110927926841360492</id><published>2005-02-24T14:01:00.000-07:00</published><updated>2005-02-24T14:09:20.273-07:00</updated><title type='text'>Os formadores de heróis.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Suponhamos D., a quem foi dita uma frase muito batida deste estilo: “Só não falha quem não tenta”.&lt;br /&gt;Que pode dizer D. numa situação destas, abruptamente feito virgem de acção e de experiência prévia, por quem assim tão sabiamente expõe que não interessa nada ele saber de antemão que algo não está ao seu alcance, e que, de resto, qualquer coisa como um conhecimento &lt;em&gt;a priori&lt;/em&gt; é muito bonita mas em filosofia, que a vida é outra coisa, inteiramente distinta? Assim despojado até – imagine-se – da consciência de si, da familiaridade única que alguém tem com as suas próprias capacidades e limitações, que pode D. responder a quem tão despudoradamente o lança a braços com o infinito, só porque tudo aquilo que se quer e pode querer tem que se apresentar sempre impossível o bastante para despertar nas pessoas essa vontade romântica do heroísmo comoventemente humano da tentativa e da luta?&lt;br /&gt;Ora, se estiver num dia mau, é praticamente certo que D. fará saber a idólatras de mártires que o esforço não é um fim e pronto, a conversa morre ali.&lt;br /&gt;Se estiver bem-disposto e a pessoa for verdadeiramente encantadora, diz que sim, que sim senhora, que tem toda a razão, e, acalentado mais o coração de quem instigou do que o daquele que deseja, passam a falar de outra coisa qualquer, até porque nem foi por mal, muito pelo contrário, as pessoas normalmente só querem ajudar, que se tocou no assunto.&lt;br /&gt;De outro modo, que dirá D., que diremos nós, aos formadores de heróis?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-110927926841360492?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/110927926841360492/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=110927926841360492' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110927926841360492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110927926841360492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/02/os-formadores-de-heris.html' title='Os formadores de heróis.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-110848477790878987</id><published>2005-02-15T09:24:00.000-07:00</published><updated>2005-02-15T09:26:17.953-07:00</updated><title type='text'>Carta aberta aos que nascem.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O que vais fazer, o que quer que vás fazer, vai tornar absolutamente feito isso que fizeres; tem sempre isto em mente. Não é possível que, daquilo que escolheres para ti, resulte outra coisa que a irreversibilidade do que te tornaste.&lt;br /&gt;Não foste atirado por um ser superior para um rio unívoco, mas também não acontece que das tuas escolhas resultem todas as consequências em simultâneo; o que podes fazer é escolher a torrente que te vai arrastar. Mas agora repara: cada curso do rio conduz à sua bifurcação, e esta a novos canais que, por sua vez, abrirão outras encruzilhadas. Cada opção é única, de tal modo que se escolheres a da direita não poderás mais aceder às possibilidades que o caminho da esquerda ou o do meio te ofereceriam quando chegasses ao seu termo.&lt;br /&gt;Não te assustes, que se escolheres com ponderação, porque te detiveste sempre em cada encruzilhada para contemplar os cursos existentes e compreendê-los na sua essência, de tal modo que nada neles te é já alheio, inclusive as possibilidades que cada um te abrirá mais lá adiante e, sucessivamente, as que estas abrirão depois, não te acontecerá como àquele que escolhe sem pensar o rio como um todo, e que tem em vista, não todos os cursos que poderão vir a apresentar-se para cada uma das opções que diante dele tem, mas antes como se a encruzilhada em que se encontra num determinado momento fosse a única ao longo de todo o rio e como se, uma vez decidido o caminho, ela e todas as restantes possibilidades oferecidas cessassem de existir; ou ainda como àquele que não reflecte de todo porque se recostou na jangada a dormir e se deixa levar pela corrente.&lt;br /&gt;Porque a certa altura é provável que estes dois se detenham em perplexidade, pela lembrança súbita de que havia outras hipóteses de caminho que aquelas que tomaram, muitas mais hipóteses de caminho, e, porque de repente o rio se lhes apresenta como um todo, tomam-se de uma desorientação absoluta e petrificante, pois, ao não terem considerado as outras escolhas que havia, não guardaram nenhuma delas na lembrança, e agora parece-lhes que vieram dar onde vieram dar tanto e tão por acaso como poderiam ter ido dar a outro sítio qualquer, e assim não podem de maneira nenhuma garantir terem percorrido o melhor dos caminhos possíveis, terem chegado ao melhor dos sítios possíveis. Cheios de pânico, tentam subir o rio e recuperar a todo o custo pelo menos a noção de todas as coisas que poderiam ter sido, e quanto mais impossível isso lhes parece, menos lhes parece que tenham feito da sua viagem a melhor das viagens possíveis.&lt;br /&gt;Mas tu, que sempre paraste para compreender todas as coisas, hás-de chegar ao fim com a lembrança de todas elas, e portanto hás-de ter a certeza de que, de entre tudo, escolheste sempre o melhor possível, e que fizeste do teu percurso o melhor de todos os percursos. E se no final ainda vos pedirem contas da vossa viagem, vais poder recriar um mapa detalhado e fiel do rio, porque sempre o consideraste e conheceste por inteiro, enquanto que aqueles que escolheram só com base no momento ou os que se deixaram ir para onde a corrente os levou se entreolharão perplexos e assustados, de mãos a abanar e sem terem trazido nada de proveitoso da viagem que fizeram, e então a sensação que têm é de que a não fizeram de todo.&lt;br /&gt;Só que, quando escolheres, não deixes que nenhuma pessoa nem nenhuma lei te diga qual é a melhor opção, mas antes escolhe sempre aquilo que for o mais útil e o mais conforme àquilo que és; porque se tiveres sempre alguém a indicar que caminho hás-de tomar, assemelhas-te àqueles que chegarão ao final sem conhecerem as outras opções que poderiam ter seguido, e que não podem garantir que chegaram ao melhor dos portos possíveis, então tudo aquilo que és e fizeste te vai parecer fracamente justificado perante a infinidade de possibilidades que agora percebes terem existido mas que, porque nunca precisaste de as ponderar, não conheceste e que não podes saber se te teriam trazido a um sítio muito melhor. Tão-pouco trazes na memória o conhecimento do rio e por isso é como se a viagem de nada tivesse valido.&lt;br /&gt;Portanto, antes de mais, antes sequer de te lançares a escolher coisas de entre as coisas do mundo, tens de aprender de cor aquilo que és. Acima de tudo tens de compreender aquilo que és, aquilo que compõe a tua natureza. Deves conhecer todos os tipos de necessidades da tua alma, para que possas entregar a cada uma a satisfação que lhe convém, em vez de lhes lançares qualquer coisa que te apareça pela frente; é que isso faria com que entrasses na inquietação e angústia da insaciabilidade permanente. Deves, pois, escolher sempre aquilo que é devido àquilo que és. E isso é que é o melhor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desse modo nunca hás-de dar por ti na desorientação de quem se descobre num percurso que não é o que deveria ter sido o seu, mas que também não consegue voltar atrás, e que, assim, não chega a ser nem aquilo que era conforme à sua natureza, nem aquilo a que veio dar, e, na verdade, não chega a ser coisa alguma e é por isso que não pode apresentar provas de que empreendeu a viagem; mas antes hás-de levar contigo a noção fiel e consistente de que coisa é o rio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-110848477790878987?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/110848477790878987/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=110848477790878987' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110848477790878987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110848477790878987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2005/02/carta-aberta-aos-que-nascem.html' title='Carta aberta aos que nascem.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-110237220669216507</id><published>2004-12-06T15:06:00.000-07:00</published><updated>2004-12-06T15:33:56.020-07:00</updated><title type='text'>Do desconhecimento.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"«Meu Deus! Meu Deus! Como hoje está tudo tão estranho! E ontem tudo se passou como de costume! Gostava de saber se fui eu que mudei durante a noite. Deixa-me cá pensar: quando me levantei esta manhã seria eu a mesma pessoa? Parece que me lembro de me sentir um bocadinho diferente. Mas, se não sou a mesma pessoa, a questão então é saber: quem sou eu? Ah! Esse é que é o grande mistério!» E começou a fazer uma lista de todas as crianças que conhecia com a sua idade, para ver se a teriam trocado por uma delas. «Tenho a certeza de que não sou a Ada», dizia, «porque o cabelo dela é todo aos caracóis muito compridos e o meu não tem caracóis nenhuns; e tenho a certeza de que também não posso ser a Mabel, porque eu sei uma quantidade de coisas e ela sabe tão pouco! Além disso, ela é como é e eu sou como sou, e... ai, meu Deus! Que confuso que tudo isto é! Vou ver se ainda sei tudo quanto sabia dantes. Ora deixa-me ver: quatro vezes cinco são doze, quatro vezes seis são treze e quatro vezes sete são..., ai, meu Deus, assim nunca chegarei à tabuada dos "vinte"! Mas a tabuada de multiplicação não tem importância. Vamos a experimentar a geografia: Londres é capital de Paris, Paris é capital de Roma e Roma... Não, está tudo errado, tenho a certeza! Devem-me ter trocado pela Mabel! Vou tentar recitar: "&lt;em&gt;Como é que o pequeno&lt;/em&gt;..."&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; e, de mãos cruzadas no colo, como se estivesse a repetir a lição, pôs-se a recitar; mas a voz soava-lhe rouca e estranha e as palavras não lhe saíam como devia ser (...)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«Tenho a certeza de que não são estas as palavras certas», disse a pobre Alice, e os olhos encheram-se-lhe outra vez de lágrimas, enquanto ia falando. «Eu, afinal, devo ser a Mabel e tenho de ir morar para aquela porcaria de casa, quase sem brinquedos nenhuns, e ainda por cima com tantas lições para estudar. Não, quanto a isso, já me decidi: se sou a Mabel, vou ficar por aqui! Não vale a pena porem as vossas cabeças cá para baixo e dizerem-me: "Volta outra vez, querida!" Eu apenas olharei para cima e direi: "Quem sou eu, então? Digam-me primeiro quem sou, e, se eu gostar de ser essa pessoa, subo; se não gostar, fico aqui em baixo até ser alguém diferente" - mas, ai, meu Deus», lamentou Alice, rompendo subitamente a chorar. «Eu bem gostava que eles se debruçassem cá para baixo! Estou tão cansada de estar aqui sozinha!»"&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;em&gt;Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-110237220669216507?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/110237220669216507/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=110237220669216507' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110237220669216507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110237220669216507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/12/do-desconhecimento.html' title='Do desconhecimento.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-110177218643901683</id><published>2004-11-29T16:43:00.000-07:00</published><updated>2004-11-29T16:53:19.786-07:00</updated><title type='text'>Madrugada II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Parti a cabeça contra a noite; deita-me na cama e fecha-me os olhos como se faz aos mortos. E, enquanto durmo, tapa o golpe com as mãos. Eu sei que és capaz porque já te vi antes ressuscitar, pelo toque, a rosa perdida que recolhi do passeio enlameado do fim da noite.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com os dedos, bloqueia as artérias que as pontas das estrelas rasgaram quando por elas passámos a correr a rua infinita. Tem cuidado comigo, não deixes o sangue espirrar e sujar as paredes: de manhã hei-de ver tudo silencioso – a sombra quieta do lobo na parede, o impávido vazio de nunca teres estado lá sequer – e hei-de morrer outra vez. Só que enquanto sangro não vejo que não estás: enquanto sangro tapa o golpe com as mãos e toma conta de mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-110177218643901683?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/110177218643901683/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=110177218643901683' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110177218643901683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110177218643901683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/11/madrugada-ii.html' title='Madrugada II'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-110168409677600200</id><published>2004-11-28T16:19:00.000-07:00</published><updated>2004-11-28T16:26:19.823-07:00</updated><title type='text'>Madrugada.</title><content type='html'>“Já viste?, podíamos correr esta rua toda sem nunca parar.”&lt;br /&gt;“E porque haveríamos de o fazer?”&lt;br /&gt;“Porque é madrugada e a rua é a descer. E porque somos nós.”&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-110168409677600200?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/110168409677600200/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=110168409677600200' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110168409677600200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110168409677600200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/11/madrugada.html' title='Madrugada.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-110149968940180697</id><published>2004-11-26T13:55:00.000-07:00</published><updated>2004-11-26T14:25:55.756-07:00</updated><title type='text'>Aspirações de um percepcionado.</title><content type='html'>Não seria bom existir sempre e a cada instante?&lt;br /&gt;E que tudo te fizesse lembrar de mim; que na rua rodasses a cabeça de repente para voltares a olhar as árvores ou as nuvens ou um nada qualquer, só para te certificares de que afinal, bem vistas as coisas, eu não estou lá e não foram os meus olhos o que tu julgaste ver - podias jurar ter visto - ainda há pouco…&lt;br /&gt;E não seria bom, eu estar em todas as ruas e em todas as caras e em cada sombra fugidia e irrepetível, a entrar para o autocarro e também para o prédio – para todos os prédios –, que tens pela frente?; e que me visses de relance a dobrar a esquina lá mais ao fundo, no mesmo instante em que, imediatamente depois de nos despedirmos, me viras as costas e te vais embora?&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Não seria bom?, não seria tão bom, ao fim do dia, não ter de deixar de ser?&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-110149968940180697?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/110149968940180697/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=110149968940180697' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110149968940180697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110149968940180697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/11/aspiraes-de-um-percepcionado.html' title='Aspirações de um percepcionado.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-110140898481388085</id><published>2004-11-25T11:44:00.000-07:00</published><updated>2004-11-25T12:15:47.896-07:00</updated><title type='text'>A inevitável contaminação fenomenológica.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“She had reached the Park gates. She stood for a moment, looking at the omnibuses in Piccadilly.&lt;br /&gt;She would not say of any one in the world now that they were this or were that, she felt very young; at the same time unspeakably aged. She sliced like a knife through everything; at the same time was outside, looking in. She had a perpetual sense, as she watched the taxicabs, of being out, out, far out to sea and alone; she always had the feeling that it was very, very, dangerous to live even one day.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Did it matter then, she asked herself, walking towards Bond Street, did it matter that she must inevitably cease completely; all this must go on without her; did she resent it; or did it not become consoling to believe that death ended absolutely? but that somehow in the streets of London, on the ebb and flow of things, here, there, she survived (…).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It rasped her, though, to have stirring about in her this brutal monster! to hear twigs cracking and feel hooves planted down in the depths of that leaf-encumbered forest, the soul; never to be content quite, or quite secure, for at any moment the brute would be stirring, this hatred, which, especially since her illness, had power to make her feel scraped, hurt in her spine; gave her physical pain, and made all pleasure in beauty, in friendship, in being well, in being loved and making her home delightful, rock, quiver and bend as if indeed there was a monster grubbing at the roots, as if the whole panoply of content were nothing but self love! this hatred!&lt;br /&gt;Nonsense, nonsense! She cried to herself, pushing through the swing doors of Mulberry’s the florists.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;And as she began to go with Miss Pym from jar to jar, choosing, nonsense, nonsense, she said to herself, more and more gently, as if this beauty, this scent, this colour, and Miss Pym liking her, trusting her, were a wave which she let flow over her and surmount that hatred, that monster, surmount it all; and it lifted her up and up when – oh! a pistol shot in the street outside!&lt;br /&gt;“Dear, those motor cars”, said Miss Pym, going to the window to look, and coming back and smiling apologetically with her hands full of sweet peas, as if those motor cars, those tyres of motor cars, were all &lt;em&gt;her&lt;/em&gt; fault.”&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virginia Woolf, &lt;em&gt;Mrs Dalloway&lt;/em&gt;. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Assim somos nós, constrangidos pela irrevogável exterioridade à diluição existencial, de tal modo que não podemos pairar suspensos sobre a discursividade da vida por muito tempo sem sermos por ela de novo sugados e compelidos à instalação fenomenológica total; por um barulho súbito na rua inteiramente reinstalados na realidade ôntica.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Efectivamente depostos nas situações, é assim que a vida nos quer.&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;"Como os cães que, embora caminhem eventualmente sobre os quartos traseiros, inevitavelmente sempre retornam à sua posição quadrúpede." (Kierkegaard)&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-110140898481388085?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/110140898481388085/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=110140898481388085' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110140898481388085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110140898481388085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/11/inevitvel-contaminao-fenomenolgica.html' title='A inevitável contaminação fenomenológica.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-110116544816739644</id><published>2004-11-22T16:07:00.000-07:00</published><updated>2004-11-22T16:17:28.166-07:00</updated><title type='text'>Sobre quando sabemos tudo o que há a saber.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje não consigo fazer nada.&lt;br /&gt;E isso passa-se porque estou já de tal modo deposta em tudo que cada coisa apresenta-se-me já como efectivamente concretizada.&lt;br /&gt;Assim, inerte no sofá, sei que levantar-me é contrair o músculo x e distender o músculo y e, tal como conheço distintamente a sensação desse movimento, assim também sei aquela que produz o chão duro contra as plantas dos meus pés. E tenho de tal modo diante mim o que é andar que sei de cor todos os ângulos que, a cada passo, as minhas pernas desenhariam, se efectivamente me levantasse.&lt;br /&gt;Sei o que é sair e sei o que são  rua e as pessoas. Primeiro cumprimenta-se e depois ri-se e depois regressa-se a casa. E note-se que com isto não quero dizer que não seja agradável. É até muito agradável mesmo. Só que hoje sei de cor o quão agradável é, a partir do sofá.&lt;br /&gt;Ler um livro também não ia trazer nada de novo, porque – noto-o – percorro já, antes de o retirar sequer da estante, as mesmas ideias e proposições em pensamento, abarcando-as todas de tal modo que constituem já (e constituíram desde sempre) uma intuição única, pura evidência cartesiana que, portanto, não se quer dar ao trabalho de fazer em palavras; o que quer dizer que escrever o que quer que seja também não é algo que me acrescente muito, nestas alturas em que já fiz tudo antes de o ter sequer começado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Não, hoje não consigo fazer nada; embora faça tudo, tudo ao mesmo tempo, porque o sei de cor. Que hoje a vida – a vida toda – é uma proposição sintética constituída &lt;em&gt;a priori&lt;/em&gt; na razão pura.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-110116544816739644?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/110116544816739644/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=110116544816739644' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110116544816739644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110116544816739644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/11/sobre-quando-sabemos-tudo-o-que-h.html' title='Sobre quando sabemos tudo o que há a saber.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-110100042412391329</id><published>2004-11-20T18:10:00.000-07:00</published><updated>2004-11-21T13:32:47.016-07:00</updated><title type='text'>as árvores. (para A.)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;a sombra seguinte vem sempre nova, sempre primeira forma de uma outra mais pura escuridão, e não te acho entre as árvores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;trago ainda o manto de sei lá que sombras revistei, bolsos do avesso, cosidas nas roxas linhas do ar das auroras frias e das lágrimas secas; e já esta se me roça pela face, ou corvo ou lobo, rasgando a pele e prendendo-se nos cabelos como a noite se agarra aos sulcos dos olhos; e continuo sem te achar entre as árvores. são estas as noites em que tento morrer: ramos que furam os olhos porque não notei que eram só sombras, ou troncos verdadeiros que não pude saber reais e tentei atravessar como cortinas de veludo – a tua pele; e as rodas demasiado dentadas dos relógios. a sombra seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;já na clareira julgo descansar, mas as clareiras são circulares e à volta há as árvores. e nelas lobos de olhos amarelos; trevas sempre novas. a sombra seguinte; e ainda não te achei, entre as árvores.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-110100042412391329?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/110100042412391329/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=110100042412391329' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110100042412391329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110100042412391329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/11/as-rvores-para.html' title='as árvores. (para A.)'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-110080329301041983</id><published>2004-11-18T11:38:00.000-07:00</published><updated>2004-11-18T12:28:45.326-07:00</updated><title type='text'>O caminho para casa.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se à noite no caminho para casa tivermos de atravessar duas fases tão distintas como o caos urbano e a rua deserta, pode acontecer que, depois de passarmos o excesso de estímulos sem pensar muito nisso e também sem pensar muito no que quer que seja (pois isso é próprio de atravessar cidades), nos fira incrivelmente o facto de, de repente, termos passado a ouvir com nitidez a nossa respiração ofegante. E mais: que seja esse o único ruído.&lt;br /&gt;Como se por um lapso narrativo qualquer tivéssemos sobrevivido à vida toda; de tal modo que nem é por mais nada que temos medo das sombras das árvores e das folhas caídas no chão.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;É provável que entretanto tenhamos parado, petrificados com o som da nossa própria respiração, que não pára de aumentar, logo agora que também o corpo desapareceu na noite.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-110080329301041983?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/110080329301041983/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=110080329301041983' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110080329301041983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110080329301041983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/11/o-caminho-para-casa.html' title='O caminho para casa.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-110036746478097447</id><published>2004-11-13T10:34:00.000-07:00</published><updated>2004-11-13T10:37:44.780-07:00</updated><title type='text'>Silêncio.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“Repara”, disse o homem com o relógio, da ombreira da porta de vidro, “há imensas coisas que podes fazer. Há bastante espaço para ti aqui; inclusive estivemos sempre a contar contigo.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque tinha os olhos muito doentes tive de falar por gestos; explicar-lhe que deste lado do silêncio o relógio dele faz um barulho ensurdecedor, e até é por causa disso que escondemos sempre os relógios entre camisolas, nas gavetas, para conseguirmos dormir à noite; e que, de resto, nem valia a pena ele estar a dizer o que quer que fosse porque numa situação normal, que é como quem diz numa situação em que estivéssemos em condições de aceitar o que nos propõe, nem sequer o veríamos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-110036746478097447?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/110036746478097447/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=110036746478097447' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110036746478097447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/110036746478097447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/11/silncio.html' title='Silêncio.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109986338333159828</id><published>2004-11-07T14:35:00.000-07:00</published><updated>2004-11-07T14:37:34.943-07:00</updated><title type='text'>Improviso.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Talvez quando a luz era consistentemente una.&lt;br /&gt;Talvez quando os olhos eram inexpugnáveis e cheios e se chegava mesmo a sentir qualquer coisa entre os dedos, se se lhes tocava.&lt;br /&gt;Talvez antes de o vazio das mãos incomodar; antes de a suspensão dos braços, que devia ser natural, se ter tornado grande e pesada demais.&lt;br /&gt;Talvez antes de todos os contornos terem começado a falhar, primeiro aos arranques, como a lâmpada que está prestes a fundir-se, e, depois, em gradações como o céu.&lt;br /&gt;Talvez, talvez no tempo do céu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez – isso com toda a certeza – antes de todo e qualquer talvez.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109986338333159828?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109986338333159828/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109986338333159828' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109986338333159828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109986338333159828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/11/improviso.html' title='Improviso.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109952246309699782</id><published>2004-11-03T15:51:00.000-07:00</published><updated>2004-11-03T15:57:29.360-07:00</updated><title type='text'>Exagero.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando, ao despedirmo-nos de alguém, nos parece que vai começar a chover e nos lembramos de que não trouxemos guarda-chuva nem casaco impermeável, e nos vem de repente à cabeça como é grande e desgastante e íngreme o caminho para casa, e ainda mais como ele se nos vai afigurando cada vez maior e mais penoso à medida que a pessoa nos vai voltando as costas para seguir o seu caminho; a nossa pele aumenta em sensibilidade e os membros distendem-se-nos de tal modo que até já sentimos muito claramente cada gota de chuva que vem a cair, e o frio de não haver casaco nenhum, e ainda mais as mãos vãs de não segurarem guarda-chuva; e, porque tudo isto é agravado pelo caminho para casa que ainda não parou de crescer, o peito tomou proporções gigantescas, efectivamente insustentáveis, pelo que só muito a custo é que conseguimos reunir as forças e a lucidez suficientes para, num fio de voz, articularmos qualquer coisa como “Fica”.&lt;br /&gt;Então o que realmente queremos dizer é: “Para mim não há mundo onde tu não estás.”&lt;br /&gt;E é claro que para a pessoa é um exagero, um drama sem sentido, porque bem vistas as coisas vamos tornar a vê-la no dia seguinte; só que ela não vê como o caminho para casa se tornou de facto enorme e muito íngreme.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela não percebe que a chuva se tornou surpreendentemente fria, de repente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109952246309699782?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109952246309699782/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109952246309699782' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109952246309699782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109952246309699782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/11/exagero.html' title='Exagero.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109820599863419471</id><published>2004-10-19T10:07:00.000-07:00</published><updated>2004-10-20T11:32:57.463-07:00</updated><title type='text'>Liebesanfang. (2ª parte)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Prefiro caminhar contigo por dez minutos, ainda que na verdade mais não faça que acompanhar-te ao sítio onde me vais deixar, a uma vida inteira que me esteja destinada e na qual não estejas presente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Devias saber que te procuro, que te procurarei sempre até me deixares entrar; pois por ti restaurei, sem olhar a custos, em mim e no que te tenho, a candura de outros tempos, e sou capaz. Porque te amo é que não fujo e sei hoje agir como se não houvesse vida nenhuma atrás de nós.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se te vejo já está tudo largamente justificado, e não tenho palavras nem explicação de gente sobre porque vim ou porque me sinto tão feliz neste estar contigo outra vez. Se insistir em olhar para ti e ainda me perguntares, então talvez te responda: “sou poeta, faço coisas estranhas.” E saímos para o mundo com imenso ar no peito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seguro-te com uma mão e atravesso-te, com coragem adolescente, as ruas e a multidão; na outra mão levo o guarda-chuva. Na garganta, escondido, o medo de te perder de vista.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Treme-me a voz estranhamente, das coisas sem sentido que digo, mas espreito-te muitas vezes pelo canto do olho; que por cada sorriso teu que consigo arrancar sou enorme.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só ao despedir-me volto um pouco a mim, por antecipação da viagem de regresso à periferia da vida que terá início assim que me deixares. Perguntas-me para onde vou; devias notar, enquanto te afastas, que isso agora me é tristemente, totalmente indiferente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aperta-se-me a garganta, troco o guarda-chuva de mão, e morro de medo de que me desapareças.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109820599863419471?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109820599863419471/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109820599863419471' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109820599863419471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109820599863419471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/10/liebesanfang-2-parte.html' title='Liebesanfang. (2ª parte)'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109801800239052757</id><published>2004-10-17T05:58:00.000-07:00</published><updated>2004-10-17T06:03:33.086-07:00</updated><title type='text'>Textos à noite. (1ª parte)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dantes acabava sempre por me ir deitar, pelo incómodo latente de já ser muito tarde, mas hoje suporto bem a luz amarela, intemporal do candeeiro do quarto, e já nem me parece que o tempo afinal passe, por lá fora estar tudo tão escuro e tão quieto.&lt;br /&gt;A noite, pude comprová-lo, é de facto enorme. É muito maior do que se pensa quando ainda se tem um certo medo de não se dormir o suficiente; e só quem não apaga a luz repara que afinal não é o fim do mundo sentarmo-nos no chão primeiro e na borda da cama, hesitantes, depois; deitarmo-nos de barriga para cima olhando o tecto sem horas, rebolarmos até já não termos posição, e irmos lá fora à varanda até que o frio se torne insuportável; voltarmos para dentro para nos esticarmos no sofá e devolvermos os olhos ao tecto porque à noite é ao tecto que eles pertencem.&lt;br /&gt;Eu dantes não tinha a noção de que a noite é tão grande.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só quando comecei a adormecer por me ter esquecido num qualquer canto do quarto com a luz acesa, e a acordar no outro dia – já com pouco dia, na verdade –, e com a mesma roupa da noite anterior, é que comecei finalmente a compreender: a noite dá tempo para tudo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109801800239052757?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109801800239052757/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109801800239052757' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109801800239052757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109801800239052757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/10/textos-noite-1-parte.html' title='Textos à noite. (1ª parte)'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109786643403162311</id><published>2004-10-15T11:51:00.000-07:00</published><updated>2004-10-15T11:53:54.030-07:00</updated><title type='text'>Jorge Palma e os Pré-socráticos. (ou a questão das perspectivas)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Eternamente tu. (Jorge Palma)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo não sabe nada, o tempo não tem razão.&lt;br /&gt;O tempo nunca existiu, o tempo é nossa invenção.&lt;br /&gt;Se abandonarmos as horas não nos sentimos sós.&lt;br /&gt;Meu amor, o tempo somos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espaço tem o volume da imaginação.&lt;br /&gt;Além do nosso horizonte existe outra dimensão.&lt;br /&gt;O espaço foi construído sem princípio nem fim.&lt;br /&gt;Meu amor, tu cabes dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu tesouro és tu, eternamente tu.&lt;br /&gt;Não há passos divergentes para quem se quer encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa história começa na total escuridão,&lt;br /&gt;Onde o mistério ultrapassa a nossa compreensão.&lt;br /&gt;A nossa história é o esforço para alcançar a luz.&lt;br /&gt;Meu amor, o impossível seduz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu tesouro és tu, eternamente tu.&lt;br /&gt;Não há passos divergentes para quem se quer encontrar.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a compreensão não é universal mas tão-somente uma questão de perspectiva, isso é algo bastante claro; o que nos pode inquietar, porém, nem é tanto a variação de entendimento de sujeito para sujeito, mas muito mais aquela que tem lugar no próprio indivíduo, e que corresponde à estreita dependência que há entre a compreensão em si e o estado disposicional que a antecede, e que, por isso mesmo, lhe confere o carácter de uma certa arbitrariedade.&lt;br /&gt;Porque podia perfeitamente ter acontecido que não tivéssemos ouvido a música de Jorge Palma após terminar uma leitura acerca dos filósofos pré-socráticos, e nesse caso o verso “além do nosso horizonte existe outra dimensão” já não nos sugeriria, como claramente sugeriu, uma alusão à filosofia de Demócrito de Abdera, segundo a qual o universo é constituído por um número infinito de átomos em movimento e pelo vácuo que existe entre eles, sendo portanto lógico que esses átomos se encontrem em mais do que num único lugar ao longo desse vácuo, e constituam mundos inumeráveis, contemporâneos mas não necessariamente idênticos.&lt;br /&gt;Também nem sequer dispensaríamos à expressão “o tempo é nossa invenção” atenção por aí além, se não tivéssemos presente a teoria dos contrários (ou do fluir constante) de Heraclito, que nos diz que uma coisa pode nascer do seu contrário, ao transformar-se nesse contrário, e que os contrários têm origem num estado permanente de conflito, e que portanto o tempo só é, de facto, tempo porque nós vamos morrer; e agora que pensamos nisso, lembramo-nos também da argumentação utilizada por Platão no Fédon para defender a imortalidade da alma, que afirma precisamente a geração das coisas a partir dos seus contrários, sendo o exemplo mais contemporaneamente célebre o seguinte: “Estar vivo é o contrário de estar morto.”&lt;br /&gt;“O espaço foi construído sem princípio nem fim” não nos lembraria a doutrina do ser de Parménides, que tem que o ser é incriado (isto é, existiu desde toda a eternidade), pois, se assim não fosse, antes dele a realidade a existir seria um não-ser, e não haveria qualquer razão lógica para que do não-ser surgisse o ser; e que, do mesmo modo, é imperecível, já que, pela mesma lógica, não haveria motivo nenhum para que o ser originasse o não-ser. Nem os versos “A nossa história é o esforço para alcançar a luz./ Meu amor, o impossível seduz.” nos recordariam a questão do conhecimento em Xenófanes, que nos diz que “os deuses não revelaram todas as coisas desde o princípio aos homens, mas mediante a investigação estes, com o tempo, chegaram a descobrir o que é melhor.”, e que “nunca algum Homem conheceu ou conhecerá a verdade”, evidenciando a disparidade entre a &lt;em&gt;aletheia&lt;/em&gt; (a verdade) e a &lt;em&gt;doxa&lt;/em&gt; (a opinião), - presente na maioria dos filósofos pré-socráticos -, e principalmente a sua irrevogabilidade, não obstante o esforço constante de inteligibilidade por parte do filósofo.&lt;br /&gt;Tão pouco o verso “não há passos divergentes para quem se quer encontrar” nos faria regressar à obra parmenídea, poema constituído por um discurso sobre a verdade (a &lt;em&gt;aletheia&lt;/em&gt;) e outro sobre a aparência, a opinião (a &lt;em&gt;doxa&lt;/em&gt;), já que, de acordo com Parménides, o filósofo deve conhecer o caminho da verdade, mas também as opiniões dos homens, de forma a poder identificar o caminho do erro.&lt;br /&gt;O mais provável era que nem tivéssemos pensado nada disto, e só ligássemos à beleza estilística, ao “meu amor, tu cabes dentro de mim”, e ao “o meu tesouro és tu, eternamente tu.” Que afinal o facto de termos lido o livro sobre os pré-socráticos antes de ouvirmos a música foi perfeitamente arbitrário e até podia muito bem ter sido que só se tivesse passado depois ou que nem tivesse ocorrido de todo; ou ainda que a leitura tivesse sido outra, e então o entendimento da música já seria, também, completamente distinto; que o entendimento não é mais que um ponto de vista formatado pelas acções, pela vida que trazemos atrás de nós.&lt;br /&gt;Do mesmo modo que pode ter acontecido que quem ouviu uma certa celebridade do panorama VIP nacional referir que “estar vivo é o contrário de estar morto”, se tenha instantaneamente lembrado da teoria da geração das coisas a partir dos seus contrários que Platão defende no Fédon, precisamente com esse argumento, de forma a sustentar a imortalidade da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É evidente que podíamos simplesmente ter achado a música belíssima, como quem olha as estrelas sem pensar muito nisso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109786643403162311?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109786643403162311/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109786643403162311' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109786643403162311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109786643403162311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/10/jorge-palma-e-os-pr-socrticos-ou.html' title='Jorge Palma e os Pré-socráticos. (ou a questão das perspectivas)'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109776648590200482</id><published>2004-10-14T08:05:00.000-07:00</published><updated>2004-10-14T08:11:01.016-07:00</updated><title type='text'>Liebesanfang.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O mundo és tu.&lt;br /&gt;Nenhum assunto ou actividade pode aspirar a ser mais do que mero detalhe esfumado quando tu estás presente. E mesmo quando não estás; porque então é quando penso em ti.&lt;br /&gt;E mais ninguém me desperta genuína dedicação.&lt;br /&gt;Não há assuntos elevados, não existem questões minimamente importantes. Inclusivamente eu já não sei escrever.&lt;br /&gt;Se estás ao meu lado tenho vertigens de ti e sinto, incrivelmente reais, os teus nos meus braços. E porque te sei de cor, nasceu-me um holograma teu, junto ao peito.&lt;br /&gt;Mas se caminhas à minha frente ou atrás de mim – ainda que só muito ligeiramente – sinto-me fora do mundo, é evidente; porque não existe luz suficiente nem existem contornos precisos fora de ti.&lt;br /&gt;Também não é possível focar qualquer outro ponto.&lt;br /&gt;É perfeitamente claro que o mundo és tu. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109776648590200482?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109776648590200482/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109776648590200482' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109776648590200482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109776648590200482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/10/liebesanfang.html' title='Liebesanfang.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109742470450195990</id><published>2004-10-10T09:05:00.000-07:00</published><updated>2004-10-10T09:13:46.056-07:00</updated><title type='text'>Como abandonar.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se um dia virmos que a vida que construímos subsiste já perfeitamente sem nós e até muito melhor do que connosco; que nos temos de impor a todas as coisas, e que, ainda por cima, apesar do extraordinário esforço que isso nos exige, só temos lugar nelas por brevíssimos instantes, muito como o buraco que é feito à pressa à beira-mar entre uma onda e a outra que logo o apaga por completo; e, acima de tudo, que o termos reflexo nos espelhos e sombras nos muros deixou de ser um processo natural; então é muito claro que está na altura de, como as cobras, largarmos a pele.&lt;br /&gt;A primeira coisa a fazer é, naturalmente, ficarmos em casa muito quietos, porque abandonar é um processo delicado que o desespero que a agitação tende a despertar compromete. É evidente que não telefonamos nem escrevemos nem tentamos de forma nenhuma entrar em contacto com aquilo que pretendemos abandonar. E é nisto, portanto, que o largar a pele e o deixar um vício qualquer, como álcool ou tabaco, se assemelham tanto: porque mais cedo ou mais tarde sempre nos assalta o desespero da necessidade, embora saibamos de antemão que isso não vai ter influência nenhuma lá fora, para o sol e para a lua e para o mundo todo que pretendemos deixar, e até foi por isso mesmo que nos propusemos a isso. O que temos a fazer nestas alturas é irmo-nos deitar e não mexer um único músculo até ao dia seguinte. A imobilidade é essencial.&lt;br /&gt;Na manhã seguinte costuma-se estar melhor porque sempre se dormiu um bocado e por isso as tremuras passaram quase todas para segundo plano. O problema de uma condição destas é que ficamos com as feições extremamente moles devido ao abandono.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Durante o dia é aconselhável que nos distraiamos com filmes ou livros ou um conto que estejamos a escrever. É perfeitamente desculpável que não queiramos ver rigorosamente ninguém.&lt;br /&gt;Pela tarde é quando nos sentimos melhor, porque as distracções funcionam. Nesta altura se bebermos um chá é altamente provável que nos sintamos plenamente vitoriosos.&lt;br /&gt;Durante muitas noites havemos, no entanto, de sonhar que voltamos atrás à vida e às coisas e pessoas dela, com o remorso exasperado de quem voltou a beber a meio da desintoxicação. Estes sonhos hão-de atormentar-nos durante muito tempo, mas a sua frequência tenderá a diminuir com o passar do tempo. E com o passar do tempo também ganhamos uma certa prática para lidar com eles de tal modo que, no próprio sonho, existe já a noção latente de que nada daquilo é real.&lt;br /&gt;Daí o chamado sono leve.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pode acontecer que ao longo da vida tenhamos de largar a pele várias vezes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pode acontecer até que nos tornemos excepcionalmente hábeis nisso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109742470450195990?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109742470450195990/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109742470450195990' title='45 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109742470450195990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109742470450195990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/10/como-abandonar.html' title='Como abandonar.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>45</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109658656981152609</id><published>2004-09-30T16:20:00.000-07:00</published><updated>2004-09-30T16:31:45.863-07:00</updated><title type='text'>A hora das visitas.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As pessoas vinham às cinco. Era esse o único marco do tempo para a pessoa que vivia dentro do tetraedro branco. Isto porque as paredes triangulares eram absolutamente iguais entre si e a luz branca que irradiavam – fluorescente – era invariavelmente a mesma.&lt;br /&gt;Quando chegavam, as pessoas eram também um importante indicador espacial, porque marcavam o único contraste orientador na brancura cega e uniforme do interior do tetraedro.&lt;br /&gt;“Olá! Estás bom?”&lt;br /&gt;Não tinha motivo nenhum para dizer que não estava e além disso era monocórdico que nunca estivesse, de facto, bem, nem tivesse qualquer justificação válida para tal.&lt;br /&gt;“O que é que tens feito?”&lt;br /&gt;Sabiam perfeitamente que não fazia nada, porque não há mais nada dentro do tetraedro branco além da pessoa que lá vive. Logo, não há nada para fazer. A não ser, talvez, esperar pelas cinco horas, e agora já nem isso, porque ele sabia de antemão que as pessoas saíam sempre às seis. As pessoas saíam sempre, eventualmente.&lt;br /&gt;“Sabes, esta noite vou estar com aquela pessoa…”&lt;br /&gt;O tom de voz requeria o entendimento tácito e a satisfação solidária que pede o afecto. A amizade pede que as pessoas fiquem contentes umas pelas outras; mesmo as que vivem dentro de um tetraedro branco e opaco e não têm outra opção para ficarem contentes a não ser a felicidade dos outros.&lt;br /&gt;Mas é evidente que quando alguém vive num tetraedro branco, é absolutamente impossível que isso se passe.&lt;br /&gt;“Depois conto-te tudo! Está descansado…”&lt;br /&gt;Ele estava.&lt;br /&gt;As pessoas saíam às seis. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;A bem dizer podia perfeitamente passar-se que a hora das visitas fosse outra. Que fosse das duas às três, ou das sete às oito… Podia muito bem nem ser uma hora mas duas, ou meia. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Não há relógios nos tetraedros brancos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não há mais nada além da pessoa que vive lá dentro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109658656981152609?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109658656981152609/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109658656981152609' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109658656981152609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109658656981152609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/09/hora-das-visitas.html' title='A hora das visitas.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109656590344607438</id><published>2004-09-30T10:36:00.000-07:00</published><updated>2004-09-30T10:38:23.446-07:00</updated><title type='text'>O copo.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;São extraordinárias as dificuldades com que nos deparamos na descrição de um copo que cai e se estilhaça.&lt;br /&gt;Porque estávamos a falar dos mais elevados assuntos, na antecâmara de uma qualquer genial conclusão, e o copo que segurávamos escorregou e desfez-se no chão, com aparato em tudo semelhante ao da explosão de um bloco de gelo que espalhasse numa área significativa milhares de ínfimas partículas vítreas. Semelhante em tudo excepto no barulho.&lt;br /&gt;É que um copo que cai e se desfaz – que literalmente se desfaz – é algo que causa um ruído brutalmente, absurdamente ensurdecedor. Muito como um comboio imparável que de súbito embatesse, duro e despropositado, num obstáculo inesperado e se desfizesse todo, carruagem após carruagem, num monte de poeiras indefinidas. E então o barulho é como ferro nos ouvidos, a fazer doer no cérebro; e que continua a ecoar pungentemente durante muito tempo depois. Tanto que o que mais nos incomoda – aquilo que realmente nos incomoda – quando partimos um copo nem é tanto a falta que nos vai fazer o objecto, ou o facto de eventualmente termos de comprar outro, mas sim – e isto é que ferozmente nos irrita – o barulho.&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora, porque o copo se partiu no chão, achamos inteiramente despropositado e desnecessário que se fale de liberdade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109656590344607438?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109656590344607438/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109656590344607438' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109656590344607438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109656590344607438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/09/o-copo.html' title='O copo.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109631853952751780</id><published>2004-09-27T13:54:00.000-07:00</published><updated>2004-09-27T14:20:04.956-07:00</updated><title type='text'>Eu, à espera.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esperar por ti, quem quer que sejas, é absolutamente necessário.&lt;br /&gt;Entregar-me ao tempo sem oferecer a resistência do eufórico interesse ou da revolta exasperada que as outras pessoas oferecem; furar a multidão e os acontecimentos com passos duros e gestos mecânicos e olhos semi-cerrados que não têm já o mínimo poder de focagem. As feições, moles da falta de uso, também esperam por ti.&lt;br /&gt;Que um dia virás, eis o conservante antibiótico que me injecto a cada despertar, após o pasmo sempre novo de me descobrir gente ainda.&lt;br /&gt;Entendi já que nem a pior das noites me há-de matar; teria de ser eu a fazê-lo – suprema humilhação. Assim, o meu ardor é talvez fictício – é o que deduzo da insistência escandalosa da minha própria vida. Permanece como uma visita indesejada, sem essa sensibilidade tão precisa de entender a que horas sair; assiste a tudo e depois, na manhã seguinte quando acordo, vejo-a sentada à minha cabeceira, direita como quem vela, a sorrir, complacente, com os raios do primeiro sol. E então o que o quarto já inteiramente branco do dia novo quer perguntar é: “Estás melhor?”.&lt;br /&gt;Eu não estou melhor, é evidente. Escuso-me é de responder, porque haveria certamente de me enervar da minha própria incapacidade de desaparecer e a voz tremer-me-ia e nada disso haveria de valer realmente a pena porque no dia seguinte eu haveria de acordar à mesma, outra vez. É imparável, isso da existência; e sairmos à rua para cumprirmos os dias é na verdade uma questão de auto-preservação.&lt;br /&gt;Corto a direito a medida do tempo e da distância; é absolutamente necessário que assim seja.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque sei que vens é que me abstenho de responder devidamente ao tempo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109631853952751780?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109631853952751780/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109631853952751780' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109631853952751780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109631853952751780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/09/eu-espera.html' title='Eu, à espera.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109619830859896734</id><published>2004-09-26T04:25:00.000-07:00</published><updated>2004-09-26T04:35:16.393-07:00</updated><title type='text'>As cartas de amor anónimas.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Que imensa atracção é essa do imaginário humano por cartas de amor anónimas?&lt;br /&gt;Que fascínio exerce essa ausência que se declara; como se fosse o próprio ar, como se fosse a própria vida – a vida toda – a louvar a existência de uma só pessoa?&lt;br /&gt;Nada há de mais despido da humana esperança própria da individualidade do que uma carta de amor anónima. Sem qualquer pedido de reciprocidade, esse que se despe totalmente da sua identidade só pretende isto: extravasar um amor que já não cabe em si, pelo reconhecimento de uma transcendência largamente superior a formas e sujeitos.&lt;br /&gt;Uma carta de amor anónima é o amor sem identidade, sem ego, é o amor que subsiste em si mesmo, acima do plano humano, entidade abstracta e absoluta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma carta de amor anónima é, por excelência, o dourado beijo da própria transcendência.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109619830859896734?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109619830859896734/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109619830859896734' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109619830859896734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109619830859896734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/09/as-cartas-de-amor-annimas.html' title='As cartas de amor anónimas.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109613052629774280</id><published>2004-09-25T09:29:00.000-07:00</published><updated>2004-09-25T09:42:06.296-07:00</updated><title type='text'>A expectativa.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Mach, dass etwas uns geschieht!" ("&lt;em&gt;Faze que algo nos aconteça!")&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;R. M. Rilke&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;"Acontece com a distância o mesmo que com o futuro. Cobre-nos a alma uma enorme escuridão; o pensamento mergulha nela e ilude-se como o nosso olhar: sentimos o desejo ardente de sacrificar toda a existência, para nos absorvermos, com inefável alegria, no sentimento do infinito! Mas... quando lá chegamos, quando o longíquo se aproxima de nós, tudo nos aparece no mesmo estado; conservamo-nos em igual miséria; rodeia-nos idêntica tristeza e a nossa alma sedenta suspira baldadamente o bálsamo pela aventura que acaba de lhe fugir."&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Goethe&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109613052629774280?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109613052629774280/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109613052629774280' title='12 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109613052629774280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109613052629774280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/09/expectativa.html' title='A expectativa.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109611104298371296</id><published>2004-09-25T04:13:00.000-07:00</published><updated>2004-09-25T11:26:02.266-07:00</updated><title type='text'>Sobre porque falhamos momentos.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É minha firme convicção que ficarmos aquém das situações se deve grandemente a não sabermos de cor os poemas.&lt;br /&gt;Nos chamados momentos (porque o processo de identificação de um momento é tanto mais unívoco quanto mais poético ele for), dá-se uma coisa estranhíssima mas, não obstante, muito bela, que são essas vagas de vontade de chorar que nos sacodem todo o corpo (e então é uma sorte se não tremermos dos pés à cabeça e não arruinarmos o que sobra do momento) e o mutismo absolutamente impotente de vermos nas estrelas &lt;em&gt;exactamente&lt;/em&gt; os poemas que não sabemos – por voltas que dêmos à cabeça – transubstanciar em palavras.&lt;br /&gt;É frequente que, já em desespero de causa, quando vemos tudo fugir-nos devido à nossa revoltante falta de talento, se digam as coisas mais idiotas em resquícios trémulos e fanhosos de voz que, suspeitamos, nem sequer nos pertencem.&lt;br /&gt;Então só o facto de o céu ser mais alto do que nós é motivo suficiente para desistirmos da tarefa e abdicarmos em favor das estrelas, muito mais hábeis.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109611104298371296?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109611104298371296/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109611104298371296' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109611104298371296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109611104298371296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/09/sobre-porque-falhamos-momentos.html' title='Sobre porque falhamos momentos.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109596798585980177</id><published>2004-09-23T13:29:00.000-07:00</published><updated>2004-09-25T11:32:13.746-07:00</updated><title type='text'>Claustrofobia.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Para que vens despertar-me, alento da Primavera? Acaricias-me e dizes: «Eu refrigero como o orvalho do céu.» Aproxima-se o momento em que tenho de esmurchecer, não tarda a hora em que a tempestade me há-de arrancar as folhas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Amanhã há-de vir o viandante: há-de vir aquele que me viu na minha beleza; os seus olhos hão-de procurar-me por toda a campina... hão-de procurar-me, mas já não me encontrarão."&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ossian&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109596798585980177?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109596798585980177/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109596798585980177' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109596798585980177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109596798585980177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/09/claustrofobia_23.html' title='Claustrofobia.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109587729247269384</id><published>2004-09-22T11:20:00.000-07:00</published><updated>2004-09-22T11:29:10.406-07:00</updated><title type='text'>De um bicho que caiu à água.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Seria interessante se, quando sentados na borda esperando coragem para mergulhar numa piscina, e ao vermos o minúsculo bicharoco que eventualmente lá caiu espernear incansável à superfície o prelúdio ao seu afogamento, levássemos a cabo a reflexão que acabámos de desenvolver:&lt;br /&gt;O bicho afinal é enorme, tão grande que podemos muito bem distinguir-lhe a aflição no rosto e no modo asfixiado como se movem as antenas e demais saliências sensoriais do condenado, porque é assim que se comportam quaisquer condenados, bichos e homens. Então, e porque o bicho é, bem vistas as coisas, do nosso tamanho, lembramo-nos de que dentro de momentos o ser único e irrepetível que é perder-se-á no oceano de nada, que é como quem diz, na eternidade.&lt;br /&gt;E esta ideia pode bem assemelhar-se ao radicalismo lírico de protectores dos direitos dos animais que afirmam contra Descartes e contra o próprio deus cristão – esse que, dizem, pôs o homem a governar sobre todas as criaturas –, que sim senhora, que os animais têm alma. Mas na verdade não é nada disso.&lt;br /&gt;O que se passa é o mesmo que com os eclipses.&lt;br /&gt;Ora, a nós não nos custa perder eclipses por acharmos que eles têm alma, ou por uma qualquer razão relacionada com superstição. Mas muito simplesmente porque eles não vão voltar a acontecer. Ou não estamos vivos quando voltarem, o que vai dar no mesmo. Vemo-los meramente porque magoa a inexpugnável evidência do tempo que passa e não volta.&lt;br /&gt;E é por aquele pedaço de vida, aquele presente com patas e antenas, estar a desaparecer, por estar literalmente a perder-se nas vagas do tempo, e porque – como os eclipses – já não vai voltar a estar ali, que nos apetece retirá-lo da água, depô-lo na borda seca e esperar voltar a vê-lo caminhar nos seus pares de patas curtas. Devolvido ao seu tamanho e insignificância originais.&lt;br /&gt;E se isto não acontecer, se o bicho não recuperar, pensamos por momentos – antes da consciencialização do ridículo da coisa – em correr ao veterinário, pedir que dê tudo por tudo por um bichinho que até é mais pequeno que a nossa unha e cuja cara afinal nem sequer se vê (nós só achámos que sim porque pensámos tudo isto).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É belíssimo e enternece, isto de pensar que nos pareceu plausível ir com um insecto que caiu à água a um médico que nos prolongasse o presente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109587729247269384?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109587729247269384/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109587729247269384' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109587729247269384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109587729247269384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/09/de-um-bicho-que-caiu-gua.html' title='De um bicho que caiu à água.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109550384347628218</id><published>2004-09-18T03:33:00.000-07:00</published><updated>2004-09-18T06:45:16.376-07:00</updated><title type='text'>Sobre quando escrever.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Existe um aquário; um globo de vidro transparente e liso e frio que está cheio de água e cheio de outras coisas próprias dos aquários e que são as areias, as pedrinhas, as algas, e por aí.&lt;br /&gt;Este aquário não tem peixes nem nunca teve porque não tem de ser função dos aquários terem peixes lá dentro, e além disso este aquário tem a particularidade de ser cabeça.&lt;br /&gt;Sim, porque há cabeças que são aquários. São bonitas de se ver. Olha-se e a pessoa já não é pessoa, mas um tronco com um globo no topo, um globo transparente com alguns reflexos de cores claras que é quando a luz bate na água, nas algas, nas pedras.&lt;br /&gt;Mas o que se passa é que um aquário é uma coisa muito frágil e que dá trabalho manter. Ou seja: imaginemos que o dono desta cabeça tem de se deslocar mais longe do que o habitual, ou que – contrariamente àquilo a que está habituado, porque os aquários são protuberâncias que surgem em ambientes onde não ande muita gente agitada – passa mais do que um dia rodeado de pessoas a rir e a conversar. O que se passa é o mesmo que se passa em qualquer ambiente aquático que tenha substâncias dentro: quando se agita muito a água faz bolhinhas e ficam muitas partículas em suspensão. Nestes casos a tendência é sempre para agitar mais o aquário, porque é viciante criar mais bolhinhas e partículas em suspensão. Dá uma alegria infantil; fazemo-lo desde que somos crianças.&lt;br /&gt;Mas acaba-se sempre por parar, eventualmente. E depois o aquário volta a ficar quieto no seu pedestal humano isolado, e passado algum tempo as bolhinhas desaparecem.&lt;br /&gt;No dia seguinte já não há partículas em suspensão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É quando se escreve.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109550384347628218?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109550384347628218/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109550384347628218' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109550384347628218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109550384347628218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/09/sobre-quando-escrever.html' title='Sobre quando escrever.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109546249683592458</id><published>2004-09-17T16:01:00.000-07:00</published><updated>2004-09-17T16:08:16.836-07:00</updated><title type='text'>O mais belo poema de amor que conheço.</title><content type='html'>(an die erwartete...)&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Que um dia havias de vir, não respirei&lt;br /&gt;eu, de tanta meia-noite, por amor de ti,&lt;br /&gt;tal inundação?&lt;br /&gt;Porque esperava acalmar-te o rosto&lt;br /&gt;com quase intactos esplendores,&lt;br /&gt;se ele em infinita expectativa&lt;br /&gt;um dia repousasse em frente ao meu.&lt;br /&gt;Em silêncio fez-se espaço nos meus traços:&lt;br /&gt;para bastar ao teu enorme olhar&lt;br /&gt;meu sangue se fez espelho, aprofundou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se pela sebe pálida do olival&lt;br /&gt;a noite em estrelas mais forte me excedia,&lt;br /&gt;erguia-me direito e curvava-me&lt;br /&gt;para trás e aprendia a reconhecer&lt;br /&gt;o que mais tarde a ti nunca referia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh! tal expressão em mim foi semeada&lt;br /&gt;que, se o teu sorriso vier a acontecer,&lt;br /&gt;pra ti transfiro, com o olhar, espaço de mundos.&lt;br /&gt;Mas tu não vens, ou vens tarde demais.&lt;br /&gt;Anjos, precipitai-vos sobre esse linhar&lt;br /&gt;azul. Anjos, anjos, vinde ceifar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/em&gt;Rainer Maria Rilke.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109546249683592458?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109546249683592458/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109546249683592458' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109546249683592458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109546249683592458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/09/o-mais-belo-poema-de-amor-que-conheo.html' title='O mais belo poema de amor que conheço.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109517327370975872</id><published>2004-09-14T07:46:00.000-07:00</published><updated>2004-09-14T07:53:30.953-07:00</updated><title type='text'>A hora de deitar.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Podia muito bem haver trovoada&lt;/em&gt;., pensei, nessa altura em que nos apetece, mas por tédio, ir dormir, embora não esperar pelo sono acordados com os olhos a bater na escuridão, e em que somos incapazes de encontrar um motivo satisfatório para movermos o mais pequeno músculo.&lt;br /&gt;Mesmo que seja para apagar a luz – e note-se que, porque estamos de pé, no meio do quarto, bastava erguer ligeiramente o braço direito até ao interruptor na parede – e deitarmo-nos na cama que por acaso até está mesmo ao nosso lado. E nós até estamos cansados só que ali ficamos paralisados, olhos esbugalhados porque entretanto as pálpebras deixaram de protegê-los – nem havia razão nenhuma para continuarem a fazê-lo, que nestas alturas eles não vêem nada em particular –, e então é como se o esqueleto encaixasse todo de tal modo que podemos já abandonar os ossos sem que se estatelem, porque estão perfeitamente apoiados uns nos outros, e nós até podíamos muito bem dormir em pé, que é como se estivéssemos emparedados numa torre dessas cilíndricas, feita de toscos blocos de granito empilhados, duros e resignados, uns nos outros.&lt;br /&gt;É quando chegamos a este estado em que – reparamos agora – até o sangue se assemelha incrivelmente ao cimento rijo que une os blocos de pedra; quando nos achamos nesta condição de nos arremessarmos com muita força e desespero e inutilidade contra as imóveis paredes circulares de granito que fazem a torre – e porque este é um estado muito perigoso – que imploramos por um marco na auto-estrada deserta do tempo.&lt;br /&gt;Então ouvimos o barulho – um soalho a ranger, o vento lá fora…, qualquer coisa. Depois já o sangue deixa de ser cimento, a torre onde nos emparedámos estilhaça-se e já nos podemos ir deitar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse é o grande mérito da trovoada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109517327370975872?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109517327370975872/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109517327370975872' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109517327370975872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109517327370975872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/09/hora-de-deitar.html' title='A hora de deitar.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109492242805215731</id><published>2004-09-11T09:55:00.000-07:00</published><updated>2004-09-11T10:07:08.053-07:00</updated><title type='text'>Os que passam a correr, de Franz Kafka.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se vamos a passear à noite por uma rua e um homem que ao longe se avista - porque a rua sobe à nossa frente e a lua está cheia - vem a correr de encontro a nós, então não o vamos agarrar, apesar de ele ser fraco e andrajoso, apesar de vir uma pessoa a correr atrás dele e a gritar, vamos antes deixá-lo passar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque é de noite e não temos culpa que a rua seja a subir e esteja iluminada pela lua, e, além do mais, talvez estes dois homens tenham organizado a caça para seu divertimento, talvez os dois persigam um terceiro, talvez o primeiro esteja a ser injustamente perseguido, talvez o segundo queira matar e nós seríamos cúmplices do crime, talvez os dois não saibam nada um do outro e cada qual apenas corra, por sua própria iniciativa, para a sua cama, talvez sejam sonâmbulos, talvez o primeiro esteja armado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E afinal de contas não podemos nós estar cansados, não é verdade que bebemos muito vinho? Estamos contentes por também já não vermos o segundo homem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109492242805215731?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109492242805215731/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109492242805215731' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109492242805215731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109492242805215731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/09/os-que-passam-correr-de-franz-kafka.html' title='Os que passam a correr, de Franz Kafka.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109473785097058762</id><published>2004-09-09T06:42:00.000-07:00</published><updated>2004-09-09T06:56:22.156-07:00</updated><title type='text'>Sobre ser-se corpo.</title><content type='html'>Disse-me a senhora, e já antes mo tinham dito também, que havia grandes possibilidades de o meu organismo rejeitar o piercing que me acabara de pôr. E que nesse caso não havia nada que eu pudesse fazer.&lt;br /&gt;Então eu não soube muito bem que &lt;em&gt;eu&lt;/em&gt; era esse, se o &lt;em&gt;eu-corpo&lt;/em&gt; que rejeitava objectos estranhos ou o &lt;em&gt;eu-qualquer-coisa-de-abstracto&lt;/em&gt; que, a ser assim, não podia fazer nada além de observar o outro eu, o do corpo...&lt;br /&gt;Fiquei sem saber que eu era, propriamente, eu, mas incomodou-me a sensação de estar presa a mim.&lt;br /&gt;Ora, nunca me senti tão corpo como nesse mês que se seguiu, em que dei por mim (e aqui refiro-me ao &lt;em&gt;eu-qualquer-coisa-de-abstracto&lt;/em&gt;; não que esse seja muito mais eu do que &lt;em&gt;eu-corpo&lt;/em&gt;, mas enfim, eu quero acreditar que sim sem falar muito mais nisto, que é para facilitar a narrativa...) a implorar ao meu corpo – e o estranho que pode parecer, isto de implorarmos qualquer coisa de nós para nós (e pode bem ser que seja esta a origem do dualismo presente em todas as filosofias) … – que me não rejeitasse o piercing.&lt;br /&gt;Todas as manhãs me espreitava ao espelho, a ver se a pele daquele sítio estava mais seca, mais áspera…&lt;br /&gt;E eu de mim para mim: “por favor, aguenta-te”.&lt;br /&gt;Eu de mim para mim – e o mórbido divertimento que isto me causava... – sem controlo absolutamente nenhum sobre o pedaço de vida mais ou menos frágil que sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra situação característica de uma reflexão deste tipo é estarmos com soluços.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109473785097058762?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109473785097058762/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109473785097058762' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109473785097058762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109473785097058762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/09/sobre-ser-se-corpo.html' title='Sobre ser-se corpo.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109458613834119979</id><published>2004-09-07T13:40:00.000-07:00</published><updated>2004-09-07T12:42:18.340-07:00</updated><title type='text'>A mesa de snooker.</title><content type='html'>Estudar o determinismo é isto: que se batermos a bola branca com x unidades de força, em ângulo y com a bola vermelha, tendo em conta o atrito produzido pelo material do pano verde da mesa, bem como o peso do taco e da bola, é um dado adquirido que esta vai entrar no buraco.&lt;br /&gt;E resignarmo-nos é isto: que se fosse dado a um indivíduo &lt;em&gt;absoluto&lt;/em&gt; conhecimento acerca de todas as variáveis que produzem um acontecimento, este poderia ser previsto com um grau total de precisão (teoria do demónio de La Place).&lt;br /&gt;E intuir o livre-arbítrio é isto: que podia muito bem ter acontecido estarmos a apontar à bola verde, que afinal está tão bem posicionada para entrar no buraco como a vermelha, e que só estamos a apontar à vermelha por mero acaso.&lt;br /&gt;E o espírito científico é isto: apontar à bola verde, porque bem vistas as coisas não há melhor razão que o acaso para que se esteja a apontar à vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E desistir é isto: a luz do entardecer reflectido na superfície das bolas.&lt;br /&gt;Então fica tudo muito claro: a mesa de snooker só é um quadro.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109458613834119979?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109458613834119979/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109458613834119979' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109458613834119979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109458613834119979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/09/mesa-de-snooker.html' title='A mesa de snooker.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109450446497443943</id><published>2004-09-06T13:55:00.000-07:00</published><updated>2004-09-06T14:06:05.270-07:00</updated><title type='text'>Improviso sobre estar sozinha em casa.</title><content type='html'>Os meus incontáveis reflexos estão tão cheios de mim, ou tão vazios - depende do ponto de vista -, que acredito sinceramente que vou sentir pele do outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E basta apenas que estejam mais polidas do que o habitual, que isto chega inclusivamente a passar-se nas superfícies de madeira.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109450446497443943?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109450446497443943/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109450446497443943' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109450446497443943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109450446497443943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/09/improviso-sobre-estar-sozinha-em-casa.html' title='Improviso sobre estar sozinha em casa.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109450001995622723</id><published>2004-09-06T13:43:00.000-07:00</published><updated>2004-09-06T13:55:03.366-07:00</updated><title type='text'>Sensatez.</title><content type='html'>Lá por passarmos momentos formidáveis da mais pura felicidade com determinada pessoa, isso não quer dizer que passemos a achar inquestionavelmente verdadeiro que, tal como nos parece de momento, todas as outras alturas de tédio e insatisfação, que, diga-se de passagem, até são bem mais frequentes e duradouras que estas de euforia, não sejam afinal assim tão trágicas e esmagadoras, ou que nos riamos da nossa anterior entrega trágica e denodada às crises de desespero que já antes nos assaltaram.&lt;br /&gt;Até porque é bem provável que a pessoa que assim tão eficazmente nos espanta os fantasmas não faça a menor ideia do que está a fazer, e portanto a nossa é uma euforia solitária, só parcialmente revelada e, por ser sozinha, inevitavelmente ilusória.&lt;br /&gt;Mas a pessoa em questão é de facto deslumbrante e portanto tendemos a entrar numa filosofia já muito batida, que é o epicurismo ingénuo do &lt;em&gt;carpe diem;&lt;/em&gt; e então não é raro que nos atravessem o espírito coisas deste género: "não me interessa o resto, isso já lá vai, vou aproveitar o momento."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que entre dois sorrisos da mais pura entrega a esses olhos que são ilhas, convém sempre lembrarmo-nos das horas.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109450001995622723?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109450001995622723/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109450001995622723' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109450001995622723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109450001995622723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/09/sensatez.html' title='Sensatez.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109441055814196014</id><published>2004-09-05T11:55:00.000-07:00</published><updated>2004-09-05T11:55:58.140-07:00</updated><title type='text'>Dos domingos</title><content type='html'>Acontece-me muito este tédio em que me acho. Chamo-lhe estado de domingo porque é próprio dos domingos – especialmente dos seus entardeceres – esta indefinição exasperante de final de qualquer coisa. Desde que me lembro que detesto os finais de tarde de domingo porque está-se claramente à espera de qualquer coisa que não se sabe ao certo o que é mas que – e aqui é que reside o tédio propriamente dito – sabe-se de antemão que não vai chegar com o começo da semana.&lt;br /&gt;Podia muito bem sair de casa. Levantar-me da cadeira apoiando mãos resolutas no tampo da secretária não havia de ser assim tão incomportável. Descer as escadas e pegar nas chaves, abrir a porta e sair.&lt;br /&gt;Ora, acontece que sair é uma questão bem mais complexa do que pode parecer.&lt;br /&gt;Sair é, propriamente, isto: primeiro sente-se o ar de rua na pele e até pode acontecer que se respire fundo. Mas passados os primeiros instantes o quadro romântico desvanece-se, porque os quadros são coisas muito frágeis que não se podem sentir sempre.&lt;br /&gt;Então o que se passa é que somos absolutamente incapazes de justificar convenientemente o facto de tomarmos uma ou outra direcção e então voltamos para dentro, deixamo-nos cair no sofá e entregamo-nos ao tédio já sem oferecer resistência.&lt;br /&gt;Vistas bem as coisas, os domingos apresentam preocupantes semelhanças com areias movediças.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109441055814196014?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109441055814196014/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109441055814196014' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109441055814196014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109441055814196014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/09/dos-domingos.html' title='Dos domingos'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109438813645697544</id><published>2004-09-05T05:37:00.000-07:00</published><updated>2004-09-05T05:42:16.456-07:00</updated><title type='text'>Da importância dos sinais.</title><content type='html'>Enquanto M. revia as fotos tiradas na noite anterior, uma música começou a tocar na rádio que falava da mulher mais bela de todas. E era o mesmo nome da pessoa que aparecia nas fotos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os arrepios que nos percorrem a espinha perante a imensa beleza destes sinais ultrapassam largamente a mera superstição.&lt;br /&gt;A beleza é a prova de que talvez haja algum sentido nisto tudo. É a inexpugnável coerência que liga, como um elo invisível, todas as &lt;em&gt;incidências&lt;/em&gt;, tornado-as &lt;em&gt;coincidências&lt;/em&gt;  - esses momentos que gravamos bem fundo por fazerem um tremendo, um surpreendentemente tremendo sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é por isso que M. ama a mulher da fotografia.&lt;br /&gt;Por causa da beleza dos sinais que a rodeiam desde que a conheceu, estar com ela é entrar nessa esfera sagrada da beleza em que tudo – absolutamente tudo, até a música que toca quando olha para ela – faz, enfim, todo o sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então não há nada a fazer; ela pode dizer coisas disparatadas, amuar e desligar-se do momento… ela pode até chorar e ficar com os olhos marcados e a cara fechada. Para M., ela estará para sempre envolta nessa beleza transcendental.&lt;br /&gt;E será para sempre a mais bela de todas.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109438813645697544?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109438813645697544/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109438813645697544' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109438813645697544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109438813645697544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/09/da-importncia-dos-sinais.html' title='Da importância dos sinais.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109415797565643022</id><published>2004-09-02T13:42:00.000-07:00</published><updated>2004-09-02T14:12:08.510-07:00</updated><title type='text'>Metamorfose.</title><content type='html'>Dias há em que desenvolvo um ódio imenso e envenenado relativamente a tudo aquilo que se pretenda inteligente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esmago a casa numa mão e na outra enterro as unhas na carne até fazer sangue porque a casa que destruo e odeio sou eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois escondo a cara entre as mãos.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109415797565643022?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109415797565643022/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109415797565643022' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109415797565643022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109415797565643022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/09/metamorfose.html' title='Metamorfose.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109398435958160659</id><published>2004-08-31T13:30:00.000-07:00</published><updated>2004-08-31T13:39:37.166-07:00</updated><title type='text'>A sátira do carro.</title><content type='html'>Certo carro rolava pela auto-estrada deserta. Era de manhã e o sol estava de tal modo que os raios de luz incidiam somente no lado direito do automóvel, aquecendo-o tremendamente por causa dos vidros das janelas, e deixando o lado esquerdo na sombra, ainda fresca, característica do princípio dos dias.&lt;br /&gt;Gerou-se pois uma situação sobejamente conhecida, ainda que no presente a tratemos apenas em termos metafóricos.&lt;br /&gt;Ora, acontecia que os quatro ocupantes do referido carro se dividiam, naturalmente, entre os dois que requestavam uma refrigeração mais eficaz por parte do aparelho de ar condicionado – obviamente aqueles que o sol escaldava –, e os restantes dois que exigiam que fosse diminuída a intensidade do mesmo ar condicionado, gelados que estavam de receber vento frio ali na sombra já de si fresca.&lt;br /&gt;Satisfazer – satisfazer mesmo – só se podia satisfazer um dos pares: para que uns não morressem de calor morriam outros de frio, e para não enregelarem estes suavam os outros em bica. E como nenhuma das duas facções tinha mais direito de se sentir confortável do que a outra, eis que se quedaram ambas no desconforto, pela democrática solução de se baixar um pouco a intensidade do aparelho de refrigeração, mas não tanto que os que se sentavam do lado do sol morressem de calor, nem tão pouco que os da sombra morressem de frio.E chamaram compromisso pela igualdade a essa mediocridade suportável e continuaram a viagem no carro, todos eles desconfortáveis, mas não tão desconfortáveis assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que correcto, correcto fosse não ter um carro com ar condicionado, que era para que se distribuisse melhor a riqueza pelas pessoas e toda a gente vivesse em equidade: todos mal, mas não tão mal assim.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109398435958160659?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109398435958160659/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109398435958160659' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109398435958160659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109398435958160659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/08/stira-do-carro.html' title='A sátira do carro.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109381253235601383</id><published>2004-08-29T13:47:00.000-07:00</published><updated>2004-08-29T14:00:13.720-07:00</updated><title type='text'>Summer of '69</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No verão de 69 Bryan Adams recebeu a sua primeira guitarra de seis cordas. A sua primeira guitarra a sério. Tocava até ter os dedos em sangue e namorava no pátio de entrada da mãe da amiga. Foram os melhores dias da sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A um oceano de distância, o exército russo ocupara, um ano antes, a região da Boémia, desencadeando aquilo a que Kundera chamaria na sua Insustentável Leveza do Ser de euforia do ódio.&lt;br /&gt;No verão de 69 Jan Pallach, um estudante checo de dezanove anos, imolou-se pelo fogo em plena praça de Wenceslau, em protesto contra regime comunista. Está lá marcado com um X o local exacto e todos ficam pensativos quando lá passam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No verão de 69 Bryan Adams tinha uma banda com uns colegas de escola, e embora se esforçassem sabiam que nunca haviam de ir assim muito longe. Passavam as noites no drive-in. A matar tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Praga a vigilância da polícia russa perseguia inflexível, implacavelmente os habitantes, e portanto as pessoas não sentiam nunca a insustentável leveza do ser, porque todas as suas manifestações tinham não só razão de ser, como também enormes, impensáveis repercussões. A acção humana tinha um surpreendente feedback que vindicava a existência. Jan Pallach é o paradigma de vida vindicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No verão de 69, enquanto Bryan Adams matava o tempo com a sua primeira guitarra de seis cordas e o verão lhe parecia durar para sempre, Jan Pallach imolou-se pelo fogo não tanto para protestar contra o comunismo propriamente dito, mas por um ideal estético-metafísico muito mais elevado: a tragicidade. Que o trágico assume por excelência uma indesmentível existência de uma finalidade categórica, apoteótica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No verão de 69 Bryan Adams recebia a sua primeira guitarra de seis cordas. A sua primeira guitarra a sério.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foram os melhores dias da sua vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109381253235601383?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109381253235601383/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109381253235601383' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109381253235601383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109381253235601383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/08/summer-of-69.html' title='Summer of &apos;69'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109182397813480274</id><published>2004-08-06T13:25:00.000-07:00</published><updated>2004-08-06T13:26:18.133-07:00</updated><title type='text'>Despedida. (para C.)</title><content type='html'>Ouve-se tão bem Bach na auto-estrada.&lt;br /&gt;É tristemente belo, isto de não se estar em lado nenhum e, ainda assim, ter o privilégio de perder o olhar numa paisagem enorme sem nunca fixar ponto nenhum em concreto, porque, em movimento, só é fisicamente possível fitar o horizonte. E os horizontes são como o tempo: não acabam nunca.&lt;br /&gt;Isto até que tem muito a ver com o que sinto por ti: uma aura sem lugar no tempo ou no espaço, mas demasiado forte para não desejar evasão.&lt;br /&gt;É em movimento, quando não me encontro em lugar nenhum e os meus olhos mais não podem fazer que passar instantaneamente pelas coisas, que estou mais próxima do meu amor por ti. E é reconfortante perder o meu lugar na realidade espacial e ser só, ser inteiramente o pensamento de ti.&lt;br /&gt;Apaixonei-me por ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve-se tão bem Bach na auto-estrada. Para mim é o mais perto de ti que posso estar.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109182397813480274?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109182397813480274/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109182397813480274' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109182397813480274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109182397813480274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/08/despedida-para-c.html' title='Despedida. (para C.)'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109138760686942987</id><published>2004-08-01T11:48:00.000-07:00</published><updated>2004-08-01T12:20:20.870-07:00</updated><title type='text'>Sobre acreditar nas fotografias.</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Quanto a ver fotografias é este o maior dos disparates:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; que a cara que sorri para ninguém já nem tenha afinal de contas vontade nenhuma de sorrir porque o fotógrafo a fez esperar interminavelmente, ora porque um grupo de turistas desatentos se atravessou à frente da objectiva, ora porque a paisagem pretendida não podia ser por estar em contra-luz e tiveram de procurar um ângulo decente, ora porque, finalmente achado o ângulo, a luz intensa do sol tenha feito espirrar a fotografada e portanto teve de se repetir a prova e, a ser assim, as fotos que diante de nós temos podem já muito bem ser segundas e terceiras e quartas experiências, e nós nunca temos como saber bem a vida que havia realmente naquela altura, porque ninguém pode garantir a cem por cento todos os momentos em que espirrou por causa da luz ou que um grupo de turistas desantentos se atravessou entre si e a câmara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque se me afigura sempre igualmente inverosímil as figuras imóveis e sorridentes que observo terem desfeito a pose e continuado a visita ao monumento, nunca consigo olhar para as fotografias e dizer "Ah! Cá está, propriamente, um momento!", porque tenho as fotografias, reconheço-me nelas, mas nunca me lembro de as ter tirado.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109138760686942987?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109138760686942987/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109138760686942987' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109138760686942987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109138760686942987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/08/sobre-acreditar-nas-fotografias.html' title='Sobre acreditar nas fotografias.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109118156517794785</id><published>2004-07-30T02:58:00.000-07:00</published><updated>2004-07-30T12:10:34.163-07:00</updated><title type='text'>Improviso sobre a inutilidade.</title><content type='html'>Eu tinha muitos poemas e deixei-os partir; por achar que os grandes dragões e os homens podiam afinal ter muita coisa em comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas depois pareceu-me que os homens viviam já contentes uns com os outros e, bem vistas as coisas, quando entrei na caverna nem havia lá dragão nenhum.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109118156517794785?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109118156517794785/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109118156517794785' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109118156517794785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109118156517794785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/07/improviso-sobre-inutilidade.html' title='Improviso sobre a inutilidade.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109117995338270818</id><published>2004-07-30T02:29:00.000-07:00</published><updated>2004-07-30T02:35:27.676-07:00</updated><title type='text'>A mesa.</title><content type='html'>A mesa encostada à parede do fundo da sala apoia-se em dois blocos compactos de gavetas que se estendem nas suas duas larguras, mas já foi arrastada muitas vezes porque caíam coisas lá para trás e depois os braços das pessoas não chegavam para as recuperar do espaço mínimo que separa a madeira da parede, e também porque é característico dos homens alterarem a rotina e acharem que isso passa incontornavelmente por mudarem a disposição das mobílias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesa tem um ou outro círculo redondo ligeiramente mais claro que o tom original da madeira ocasionalmente espalhado pelo tampo, que foi onde assentou os copos incautamente abandonados quem passa ali as noites ao computador, e também uma ou outra mancha igualmente de água, mas estas são por causa daquelas noites em que se chora. E toda a gente sabe que&amp;nbsp;a água marca mais a mesa que o computador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, porque na mesa há um computador em frente do qual alguém passa as noites, num mutismo aparente e em interacção frenética… ou interacção ilusória e mutismo evidente, como se queira. Em todo o caso o computador é muito importante porque as pessoas nem sentem que estão na sala sozinhas e já nem têm medo dos barulhos que a casa faz à noite, porque se escrevem umas às outras e porque no computador dá para ouvir música. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por causa disto nunca ninguém fala da mesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109117995338270818?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109117995338270818/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109117995338270818' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109117995338270818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109117995338270818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/07/mesa.html' title='A mesa.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109103771098657261</id><published>2004-07-28T10:59:00.000-07:00</published><updated>2004-07-28T17:49:21.503-07:00</updated><title type='text'>Sobre a importância do nome.</title><content type='html'>R. vibrava com aquela peça. Ouvia-a em sessões contínuas, graças ao programa de repetição da aparelhagem, e falava dela a toda a gente. &lt;br /&gt;Causa-me arrepios, esta peça de Wagner… Percebo inteiramente a que se referia Nietzsche ao falar da consolação metafísica…., Dizia, extasiado, a todos com quem falasse de música. &lt;br /&gt;Tal peça tirara-a R. da Internet, de um desses programas em que os utilizadores partilham entre si ficheiros de cariz vário, e fora tal o entusiasmo que nele despertara, que de imediato se pôs R. à inteira disposição dos amigos para fornecimento de informação acerca do compositor alemão do séc. XIX. &lt;br /&gt;Sabia do seu fascínio pelas teorias schoppenhauerianas, e que estas lhe sustentavam, entre outras coisas,&amp;nbsp;justificantes para as inúmeras ocorrências adúlteras da sua parte. &lt;br /&gt;Sabia do caso Nietzsche contra Wagner, tendo inclusive lido grande parte da obra do primeiro. &lt;br /&gt;Mas uma coisa o intrigava sobremaneira: a peça que tantos calafrios lhe causava quando, na sala, a punha a tocar num volume assombroso, fazendo tremer os vidros da janelas, não integrava nenhuma das quatro partes d’ “O Anel dos Nibelungos” (que conhecia após uma extenuante, mas não menos fascinante, sessão de quinze horas de audição), não era nenhum acto de “Tristão e Isolda”, ou de “Parsifal”, ou de “Lohengrin”, nem de “Tannhäuser”, nem de nenhuma das óperas de Wagner que R. conhecia e trauteava e identificava de imediato quando em algum lado as ouvia. &lt;br /&gt;Descobriu um dia R., ao passar por acaso os olhos na contracapa de um álbum, numa loja da especialidade, que a sua muito amada peça, essa que&amp;nbsp;lhe trouxera toda uma filosofia e explicação estético-metafísica da essência do mundo e da vida (filosofia que, para ele, fazia todo sentido), que “O Fortuna” – assim se chamava a tal peça – era a abertura de uma ópera de Carl Orf, intitulada “Excalibur”. &lt;br /&gt;Racionalmente falando, não&amp;nbsp;seria esteticamente menos profunda por uma questão de nome, mas foi tal o despeito sentido por R. ao perceber o crasso erro do caríssimo utilizador que na Internet pusera a música à disposição de melómanos principiantes, e, principalmente, ao ver que a todas as nitzscheanas teorias que aprendera a perfilhar e apreciar lhes era agora bruscamente puxado o tapete, que nunca mais ouviu R. a peça que lhe trouxera a explicação da vida sob um nome falso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que, parecendo que não, isto do nome muda tudo… ou quase tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109103771098657261?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109103771098657261/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109103771098657261' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109103771098657261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109103771098657261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/07/sobre-importncia-do-nome.html' title='Sobre a importância do nome.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109086902374051502</id><published>2004-07-26T12:09:00.000-07:00</published><updated>2004-07-26T12:10:46.606-07:00</updated><title type='text'>Decisões, de Franz Kafka.</title><content type='html'>Erguermo-nos de um estado miserável tem de ser fácil, mesmo que com uma energia premeditada. Arranco-me à poltrona, circundo a mesa, solto a cabeça e o pescoço, dou fogo aos olhos, estico os músculos que os rodeiam. Contrario todas as sensações, se A. vier cumprimento-o entusiasticamente, tolero B. amigavelmente no meu quarto, em casa de C., apesar da dor e do esforço, engulo o que é dito com longos tragos. &lt;br /&gt;Mas mesmo que eu consiga fazer isto, um erro qualquer – e os erros são inevitáveis – bastará para que tudo, o fácil e o difícil, falhe e então vou ter de voltar atrás no círculo. &lt;br /&gt;Por isso o mais aconselhável continua a ser aceitar tudo o que vier, comportarmo-nos com uma massa pesada, e, no caso de nos sentirmos postos de parte, não deixar que nos façam dar um passo desnecessário, fitar os outros com um olhar animal, não sentir remorsos, ou seja, esmagar com a própria mão todos os fantasmas da vida que ainda restarem, o que quer dizer intensificar um pouco mais o último sossego tumular e não permitir que mais nada subsista para além dele.&lt;br /&gt;Um movimento característico de uma condição destas é passar o dedo mínimo pela sobrancelha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109086902374051502?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109086902374051502/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109086902374051502' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109086902374051502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109086902374051502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/07/decises-de-franz-kafka.html' title='Decisões, de Franz Kafka.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109078559693625596</id><published>2004-07-25T12:58:00.000-07:00</published><updated>2004-07-25T14:23:31.560-07:00</updated><title type='text'>De um encontro.</title><content type='html'>Martelava, incansável, os pregos que prendiam as tábuas umas às outras, tentado completar aquela espécie de recipiente improvisado para a cristalina água que continuamente jorrava. &lt;br /&gt;A meus olhos aquela era a fonte mais pura, mais desejada&amp;nbsp;de todas, mas o seu caudal era demasiado forte para que não fossem vãs as minhas intrépidas tentativas de o reter todo na caixa de madeira que vinha tentando construir. &lt;br /&gt;Martelava, incansável, embora aquela água divina se me escapasse, em jorros implacáveis que me encharcavam, toda pelas frestas das tábuas e por entre as mãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas depois perdera todos os vestígios da tua cara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109078559693625596?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109078559693625596/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109078559693625596' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109078559693625596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109078559693625596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/07/de-um-encontro.html' title='De um encontro.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109051768689694978</id><published>2004-07-22T10:33:00.000-07:00</published><updated>2004-07-22T10:34:46.896-07:00</updated><title type='text'>Improviso dadaísta.</title><content type='html'>A doida cantava acerca de borboletas porque nós estávamos a improvisar coreografias de músicas que não ouvíamos desde a pré-adolescência e isso parecia deixá-la à-vontade, até porque o velho zarolho entaramelou numa boca desdentada qualquer coisa acerca da brevidade da primavera, e o dandy do cabelo comprido grisalho e da mochila de campismo lançava-nos olhares de pretensa superioridade intelectual por cima do seu exemplar d’ “As quinas de Portugal”,&amp;nbsp;e isso&amp;nbsp;ainda nos dava mais vontade de rir.&lt;br /&gt;E depois havia o caniche dentro do saco.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109051768689694978?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109051768689694978/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109051768689694978' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109051768689694978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109051768689694978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/07/improviso-dadasta.html' title='Improviso dadaísta.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-109001835387964927</id><published>2004-07-16T15:49:00.000-07:00</published><updated>2004-07-16T15:57:51.476-07:00</updated><title type='text'>Sem título.</title><content type='html'>Então, vamos a isto?, O homem que a atendeu era barrigudo e tinha a expressão apagada de quem repete maquinalmente o prelúdio a uma acção igualmente mecânica. &lt;br /&gt;Sim, sim., Afagou uma última vez o sobrolho esquerdo; dentro de pouco tempo&amp;nbsp;não denotaria mais a original nudez. &lt;br /&gt;Rituais precisam-se… &lt;br /&gt;Permanência foi a primeira ideia que lhe ocorreu quando, no final, viu ao espelho o &lt;em&gt;piercing&lt;/em&gt; prateado que lhe perfurava o sobrolho esquerdo. &lt;br /&gt;Esboçou um sorriso de agrado, pagou e saiu da loja em direcção à estação. &lt;br /&gt;No comboio mirou continuamente o seu reflexo no vidro da janela. E divertiu-se a imaginar as caras de derrota dos pais e as de júbilo dos amigos. &lt;br /&gt;Vozes duras fizeram-se ouvir lá do fundo da carruagem e então tudo começou a acontecer muito rapidamente, entre pessoas que choravam e se escondiam. &lt;br /&gt;Vozes duras iam gritando qualquer coisa em atropelo; qualquer coisa&amp;nbsp;que ninguém pôde distinguir no meio do pânico gerado à metálica visão. &lt;br /&gt;Os dois homens mataram toda a gente na carruagem e suicidaram-se de seguida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-109001835387964927?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/109001835387964927/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=109001835387964927' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109001835387964927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/109001835387964927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/07/sem-ttulo.html' title='Sem título.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-108939223141630397</id><published>2004-07-09T09:54:00.000-07:00</published><updated>2004-07-09T10:37:24.473-07:00</updated><title type='text'>Sobre a mosca e o cubo roxo (ou do relativismo).</title><content type='html'>&lt;em&gt;Dêem-me o mundo pelos olhos de uma mosca. Só para saber até que ponto é o mesmo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me deparei com o cubo roxo numa clareira daquele bosque de abundante folhagem tropical, perguntei-lhe o que tinha dentro.&lt;br /&gt;“Uma mosca”, foi a resposta.&lt;br /&gt;Depois comecei a andar à volta dele, tacteando-lhe as paredes fluorescentes que irradiavam luz roxa como pequenas descargas eléctricas.&lt;br /&gt;Era muito grande, o cubo roxo. E exactamente homogéneo, pelo que a certa altura já não sabia quantas vezes havia experimentado a mesma face.&lt;br /&gt;“Já devo ter estado aqui”, calculei, embora nada na grande superfície mo garantisse. Era só pelo número de esquinas que já tinha dobrado.&lt;br /&gt;Com bastante esforço alcancei a face superior do cubo, que era igualzinha às outras faces.&lt;br /&gt;Foi quando me deitei de bruços para recuperar forças, e encostei a cara à luminosidade roxa irradiada pelo cubo que me achei noutro sítio. Ou antes, numa versão prateada e antracite da clareira do bosque onde se encontrava o cubo.&lt;br /&gt;A paisagem, muito mais obscurecida, emitia umas vibrações metálicas surdas, e tudo tinha reflexos de tons de prata. A única cor que havia era o vermelho. Olhava em volta e tudo estava difuso, desfocado em vibrantes manchas antracite pontuadas por vermelho vivo que incomodava. E não conseguia calar o zunir.&lt;br /&gt;Aquele era um mundo absolutamente caótico, apocalíptico.&lt;br /&gt;Eu era uma mosca.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-108939223141630397?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/108939223141630397/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=108939223141630397' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108939223141630397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108939223141630397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/07/sobre-mosca-e-o-cubo-roxo-ou-do.html' title='Sobre a mosca e o cubo roxo (ou do relativismo).'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-108922343253357958</id><published>2004-07-07T11:02:00.000-07:00</published><updated>2004-07-14T11:09:15.400-07:00</updated><title type='text'>Das lentes progressivas.</title><content type='html'>J. vivia de noite, que era para não gastar a vista.&lt;br /&gt;Porque calhou dizer-lhe o médico que a luz natural, demasiado branca, lhe concretizava a tendência para enxaquecas, mudou-se J. para a penumbra e para a fraca iluminação amarela dos candeeiros de pé.&lt;br /&gt;Além disso sabia de cor o destino dos humanos olhos, que a partir de certa idade, ditos cansados, sempre se fazem acompanhar de lentes; lentes que ostentam o não menos sugestivo nome de progressivas. E então as tais pessoas com a vista cansada já notam, com certa resignação, que “isto a partir de certa idade não há nada a fazer… é sempre a precisar de cada vez maior graduação…”&lt;br /&gt;A recém-diagnosticada foto-sensibilidade e o pavor do desgaste do corpo traziam J. aos dentes da assassina luz muito raramente, e sempre de óculos escuros, para não gastar a vista.&lt;br /&gt;“O branco dá cabo de mim.”, dizia, referindo-se ao dia; e em sua casa os cortinados estavam todos corridos.&lt;br /&gt;Ora, dentro desta casa de sombras e elanguescentes focos amarelos, tremia J. só de pensar a mais ténue agressão à sua vista, a mais ligeira perda de visão, o desgaste irreversível do corpo.&lt;br /&gt;J. resguardava-se da luz para não cansar a vista.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-108922343253357958?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/108922343253357958/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=108922343253357958' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108922343253357958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108922343253357958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/07/das-lentes-progressivas.html' title='Das lentes progressivas.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-108915465383667901</id><published>2004-07-06T15:49:00.000-07:00</published><updated>2004-07-06T15:57:33.836-07:00</updated><title type='text'>Improviso.</title><content type='html'>Vai ali alguém que se detesta.&lt;br /&gt;Não vejo porquê...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leva os dentes cerrados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-108915465383667901?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/108915465383667901/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=108915465383667901' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108915465383667901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108915465383667901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/07/improviso.html' title='Improviso.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-108876257262251151</id><published>2004-07-02T03:01:00.000-07:00</published><updated>2004-07-02T03:02:48.090-07:00</updated><title type='text'>Má comunicação.</title><content type='html'>Olhá-la era ter por justificada toda a existência; sentia-se feliz quando a via aparecer.&lt;br /&gt;Belíssima lhe surgia sempre, musical, e então era como se o sangue lhe fugisse, para depois voltar todo em inebriantes espasmos de vida.&lt;br /&gt;Sentada no brilho antracite da deserta via férrea que habitava, observava-a a estranha criatura; toda feita de espelhos e de vidro fumado.&lt;br /&gt;Com os cotovelos nos joelhos e a vítrea cara apoiada nas mãos, seguia-lhe, com olhos opacos, cada passo, cada sorriso, cada olhar perdido.&lt;br /&gt;Durante todo o dia caminhava para trás e para diante, sem nunca deixar a estação abandonada onde a via férrea principiava, e que era a única zona iluminada pelo sol. Ela sempre acabava por aparecer, para sossego da criatura, que se sentava então, exausta, num dos carris, a vê-la.&lt;br /&gt;Se tivesse forças levantava-se a criatura de espelhos e vidro fumado, e detinha-se com a testa encostada aos limites da redoma de vidro espesso que isolava a via férrea do resto da cidade. Batendo no vidro conseguia frequentemente que ela voltasse o olhar para si, embora nunca a pudesse ver, pois a redoma só permitia que se visse de dentro para fora.&lt;br /&gt;“Como és incrivelmente bela… Como, inteiramente, a aparição que és me justifica…”, gritava; mas raramente ela distinguia mais do que pancadas secas e sons ininteligíveis, distantes. Olhava por uns momentos, vagamente surpreendida, e depois continuava a andar sem pensar mais no assunto.&lt;br /&gt;Mas, dessas vezes, a criatura feita de espelhos e de vidro fumado já ficava contente por ter chamado a atenção; e regressava, encharcada em suor por causa do esforço, à sua via férrea deserta; nessa noite não corria para longe da estação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, se calhava um dia ela não aparecer, ou se, pior ainda, por muito que gritasse e batesse no vidro, depois de usar todos os caracteres que conhecia da língua dela, a criatura lhe não conseguia atrair a atenção, as noites eram verdadeiras ameaças de vida. Contra o vidro da redoma investia, desesperada, a criatura, com lágrimas de raiva; e não era raro estilhaçar-se-lhe a cabeça, em mil cacos de vidros e espelhos. Se ela desaparecia por fim, toda a noite corria, sem parar, ao longo da via férrea, até às zonas mais remotas onde a escuridão era de tal forma densa que não se distinguia senão a respiração ofegante a assustada da criatura.&lt;br /&gt;Em frenético desespero corria, entre os negros carris da via deserta, até se perder por completo no véu de escuridão onde, de reflexos feita mas belíssima todavia, ela se encontrava, eterno culminar das noites de morte da criatura.&lt;br /&gt;Amá-la era então desfazê-la em pedaços. Era sempre com lágrimas nos olhos de vidro e nós como gládios na garganta que a estreitava a criatura contra si, para dentro de si, trágica imolação das derradeiras barreiras da física.&lt;br /&gt;Amá-la era sempre, para a criatura de espelhos e de vidro fumado feita, morrerem à vertigem, estilhaçarem-se e diluírem-se na libertina alucinação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na manhã seguinte, inexplicavelmente de volta às imediações da estação, reunia os estilhaços de espelhos e de vidro fumado; e de novo se detinha, testa encostada ao vidro da redoma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Por favor, aproxima-te… Por favor, salva-me a vida e aproxima-te.”&lt;br /&gt;E ela olhava em volta, espantada, sem nunca perceber o que, por momentos, lhe prendia a atenção.&lt;br /&gt;“De quê?”&lt;br /&gt;E continuava a andar.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-108876257262251151?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/108876257262251151/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=108876257262251151' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108876257262251151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108876257262251151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/07/m-comunicao.html' title='Má comunicação.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-108869234539366029</id><published>2004-07-01T07:16:00.000-07:00</published><updated>2004-07-01T07:39:33.180-07:00</updated><title type='text'>Sobre ser-se natural.</title><content type='html'>F. acreditava em recomeços. Achava que, num dado local, com certas pessoas, poderia construir a gosto a imagem que dele tinham e, por conseguinte, moldar a sua integração no todo conforme quisesse.&lt;br /&gt;E na eventualidade de não correrem bem as coisas, apostava em novas oportunidades, noutro local, com outras pessoas que nunca dele nem das suas anteriores atitudes houvessem ouvido. F. acreditava na alienação e no livre-arbítrio; as coisas não lhe corriam bem e mudava de dimensão – começava do zero – e dessa é que seria!&lt;br /&gt;Ele era um livro em branco e as páginas que fosse escrevendo podia sempre passá-las quando o não agradassem ou àqueles que o rodeavam – podia sempre, a cada recomeço, ser aquilo que quisesse, era livre de escolher as suas acções de maneira a cativar as pessoas à sua volta, e, por arrasto, deixar que a existência o cativasse por fim. F. confiava na energia benfazeja da amizade e da integração social. E desde sempre que era esse o plano - "ser natural". Ele só tinha de descobrir o que fazer, como agir, que filtros aplicar ao seu carácter. Se errasse, se o pusessem à margem e uma má reputação passasse a acompanhá-lo, arrumava as suas esperanças nesse universo e concentrava-se em paliativas expectativas num universo futuro. Num universo que sempre viria; que F., apátrida, impreterivelmente acreditava na liberdade.&lt;br /&gt;Um erro que cometesse na realidade presente seria facilmente evitado na futura, com a vindoura geração a agradar. Um erro para essa e F. partiria para uma outra. Sempre, até ao dia em que fizesse tudo bem e enfim se sentisse integrado.&lt;br /&gt;Mas, obviamente, as pessoas variavam de local para local, e o que repugnava umas poderia, eventualmente, agradar outras. O que tivesse marginalizado F. num sítio poderia ser a sua aceitação plena noutro. Ele nunca sabia. Portanto preferia não repetir nada e ser sempre uma pessoa diferente; renascer com as etapas; começar do zero. E dessa é que seria! (e se não fosse seria de uma próxima) …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, F. acreditava em recomeços e em renascimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E quem, dos que se apresentam a novas pessoas, não vai carregado de expectativas?, quem, dos que principiam uma etapa, não ambiciona, de certo modo, começar do zero.&lt;br /&gt;Quem, dos que já viveram, pode não desejar renascer, à visão de uma mudança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem, dos que têm esperanças, sabe agir «naturalmente»?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando «naturalmente» é a conformidade absoluta à personalidade; quem será ainda suficientemente despido de fantasmas para saber concretamente segundo que personalidade se comportar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Age naturalmente», é o conselho.&lt;br /&gt;Mas quem não sente a tal personalidade escapar-se-lhe por entre os dedos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que não é raro despirmo-nos dos traumas e inseguranças que o passado nos gravou e, ao espreitarmos, não encontrarmos absolutamente nada que nos suporte a segurança de movimentos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... a tal naturalidade.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-108869234539366029?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/108869234539366029/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=108869234539366029' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108869234539366029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108869234539366029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/07/sobre-ser-se-natural.html' title='Sobre ser-se natural.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-108860096958117978</id><published>2004-06-30T05:59:00.000-07:00</published><updated>2004-06-30T06:09:29.580-07:00</updated><title type='text'>Improviso sobre tatuagens. (aos amigos)</title><content type='html'>&lt;em&gt;Esqueces-me tanto...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada disso. É que só de vez em quando me apercebo da minha pele, me lembro que respiro...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-108860096958117978?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/108860096958117978/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=108860096958117978' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108860096958117978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108860096958117978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/06/improviso-sobre-tatuagens-aos-amigos.html' title='Improviso sobre tatuagens. &lt;em&gt;(aos amigos)&lt;/em&gt;'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-108850966513694636</id><published>2004-06-29T04:45:00.000-07:00</published><updated>2004-06-29T04:47:45.136-07:00</updated><title type='text'>Dos castelos.</title><content type='html'>São magníficos, os meus castelos inacabados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ergo-os com toda a paciência e cuidado, e não é raro pôr-me a braços com cálculos e complexas medições para mais certos os ter.&lt;br /&gt;Dedico muito tempo aos meus castelos inacabados, que têm sempre paredes e portas e janelas e abóbadas e arcadas e pórticos… varandas e secretas passagens e escadas em caracol que me dão deliciosa trabalheira a arquitectar.&lt;br /&gt;São realmente magníficos, os meus castelos inacabados; pelo tempo que me ocupam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, à última da hora, antes de lhes dar telhados, levanto-me e declaro que vou sair.&lt;br /&gt;“Mas… agora que finalmente concluíamos o esboço e chegávamos a uma ideia estruturada?!”, olham para mim, exasperados, os meus colegas de pensamento; e é quando eu tenho mesmo de sair, abafando gargalhadas.&lt;br /&gt;Então, de rompante, rasgo as teorias e destruo os castelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(. . .)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São magníficos, os castelos; mas só os inacabados, só os inacabados – riu o duende – Realmente geniais, os inacabados…, por não serem mais levados a sério do que pelo tempo que ocupam.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-108850966513694636?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/108850966513694636/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=108850966513694636' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108850966513694636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108850966513694636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/06/dos-castelos.html' title='Dos castelos.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-108843082451308936</id><published>2004-06-28T06:29:00.000-07:00</published><updated>2004-06-28T06:53:44.513-07:00</updated><title type='text'>Sobre o a priori. </title><content type='html'>Porquê?, porque raio somos quem somos e não outra pessoa qualquer? Quem assim o determina, de tal modo que, por sermos tão por acaso nós e tão igualmente por acaso não outro, poderia da mesma forma acontecer que fossemos esse tal “outro” em vez daquilo que realmente somos? Quem, arbitrariamente, arranca a nossa pessoa a esse vazio ontológico, a esse nada de onde uma outra poderia igualmente provir?&lt;br /&gt;E quem nos atribui, em sorteio, o carácter e, indirectamente, assim nos grava escolhas e atitudes futuras?, porquê esse carácter e não outro qualquer? E qual é que fica lá?, que vidas deixamos, &lt;em&gt;a priori&lt;/em&gt;, por viver?&lt;br /&gt;Sem dúvida que o carácter se vai formando, mas características há que nascem connosco, e que vão decidindo as nossas escolhas e atitudes, sendo assim responsáveis indirectas pela formação do carácter.&lt;br /&gt;E se, afinal, não for uma "entidade" que nos arranca ao nada?, e se não há, pura e simplesmente, um "nada"?&lt;br /&gt;Um nada metafísico a que fossemos arrancados à nascença e devolvidos com a morte, um nada metafísico que comportasse o tudo - o grande a priori - justificaria a morte como regresso ao tudo, como ciclo eterno entre o nada-tudo e a alguma coisa que somos em vida.&lt;br /&gt;Porém a inexistência de um nada lançar-nos-ia como meras e inevitavelmente injustificadas aparições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assumindo a existência de um nada metafísico, um nada-tudo, como seria se, em vez daquilo que somos, fossemos aquilo que deixámos de ser? Se, em vez do tudo que parecemos ser, fossemos o nada inteiro a que nos arrancaram no momento da concepção? Nesse caso seríamos o tudo, porque seríamos, ao mesmo tempo, tudo aquilo que poderia vir a existir: todas as hipóteses e todas as escolhas, todos os destinos e todos os percursos da existência… Tudo isso ao mesmo tempo. Mas, sendo tudo o que poderia existir, sendo esse grande, intemporal e inevitavelmente abstracto “&lt;em&gt;a priori&lt;/em&gt;”, existiríamos de facto? Sendo tudo, não acabaríamos por ser nada?&lt;br /&gt;Porque ser-se isto ou aquilo implica, necessariamente, deixar de ser isto ou aquilo; porque sermos nós implica termos deixado de ser outra pessoa qualquer; pessoa essa que, &lt;em&gt;a priori&lt;/em&gt;, poderíamos ter sido tanto e tão arbitrariamente como aquela que efectivamente acabámos por ser…&lt;br /&gt;Deste modo aquilo que somos assumiria apenas a forma exterior daquilo que poderíamos ter sido, a alguma coisa que é a existência seria apenas a aparência do grande a priori, do nada-tudo. Deste modo, inequivocamente teríamos justificado a individualidade e, integrando-a nesse todo, o homem é tudo o que pode haver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas porque só no nada a liberdade existe de forma absoluta, e porque só não sendo poderíamos tudo ser, quem, que entidade, ou porque absurdo, assim ficámos que, não sendo um tudo, pressentimos, ainda assim, um nada?&lt;br /&gt;Quem assim nos voltou que, desde pequenos, jogamos ao «e-agora-eu-não-existia»?, que, conscientes de tudo e de nada e da alguma coisa intermédia que somos, nos é aberrantemente demasiado concebível a inexistência?, a liberdade absoluta, enfim…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou será que tudo isto é pensado à rebelia do duende?, esse que já se levanta e destrói, com infantil satisfação, todos os castelos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"La verdadera lucha es con el duende"&lt;br /&gt;(Lorca)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-108843082451308936?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/108843082451308936/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=108843082451308936' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108843082451308936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108843082451308936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/06/sobre-o-priori.html' title='Sobre o &lt;em&gt;a priori&lt;/em&gt;. '/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-108791102743504213</id><published>2004-06-22T06:29:00.000-07:00</published><updated>2004-06-22T06:40:01.220-07:00</updated><title type='text'>Aos Monstros.</title><content type='html'>Não é viável que não morramos. Isso só é suficiente para não levar a política a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malditos sejam, todos os engravatados de jornal económico debaixo do braço, incapazes de cuspir na burocracia e nos jornais e nos planos cinzentos que fazem em prol de um compromisso ético qualquer; monstros enfadonhos incapazes de preterir o sacrifício, ou de rir de si próprios e da estúpida austeridade desse jogo em que se viciaram: as coisas sérias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existem coisas sérias. A seriedade implica um sentido, uma finalidade a atingir; e a única, a derradeira finalidade das comunidades é assegurar a permanência da espécie no planeta.&lt;br /&gt;Para tal é necessária a renovação de gerações. Para tal, ó ignóbeis socráticos que acham que o sentido da política é melhorar o mundo, é indispensável que desapareçamos.&lt;br /&gt;Não é viável que não morramos. Deixem-me em paz com o meu cinismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que se fartem de mim, pois… Mas que eu nunca perca a tremenda vontade de rir que me dão…&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-108791102743504213?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/108791102743504213/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=108791102743504213' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108791102743504213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108791102743504213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/06/aos-monstros.html' title='Aos Monstros.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7283594.post-108756376365083722</id><published>2004-06-18T06:01:00.000-07:00</published><updated>2004-06-18T06:02:43.650-07:00</updated><title type='text'>De uma mousse que eu comi.</title><content type='html'>Era como uma esponja fria que se desfazia na língua contra o céu da boca em apoteoses de sabor que nas glândulas salivares despertavam espasmos de prazer.&lt;br /&gt;Ainda tinha muita na tigela, mas comia pouco de cada vez, que era para durar mais. Quando começava a ver-se o fundo eu fazia batota, passava a correr pela sala onde estava a dar o telejornal e ia surripiar mais um bocadinho à cozinha, só mesmo para enganar o tempo, que eu morro de medo do tempo…&lt;br /&gt;Ia rapando muito bem as bordinhas da tigela para não desperdiçar nada.&lt;br /&gt;E lambia sempre os dois lados da colher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, quando chegava mesmo ao fim, já eu estava enjoada e não fazia mal.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7283594-108756376365083722?l=evidentementeoabsurdo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/feeds/108756376365083722/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7283594&amp;postID=108756376365083722' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108756376365083722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7283594/posts/default/108756376365083722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://evidentementeoabsurdo.blogspot.com/2004/06/de-uma-mousse-que-eu-comi.html' title='De uma mousse que eu comi.'/><author><name>Shenandoah</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08268681903874204391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
